O presidente da TAP, Fernando Pinto, acredita que a concretização da privatização da companhia aérea esteja para "breve", mostrando-se confiante na reestruturação da dívida da companhia aérea, condição para que a venda de 61% do capital ao consórcio Atlantic Gateway se concretize. Declarações que surgem depois de a TVI ter noticiado, esta segunda-feira, que a dívida da empresa à banca pode colocar em risco a venda da transportadora.

“Estamos no caminho, dentro do esperado. Estas negociações são sempre difíceis. Estou confiante. O processo todo leva um tempo”, declarou Fernando Pinto, no Salão das Viagens de Negócios, em Lisboa, adiantando que “até agora nenhuma das partes atrasou a negociação [da dívida].


Ainda assim, em declarações aos jornalistas, o presidente da TAP escusou-se a garantir que a privatização não está comprometida: “Não posso dizer nada. Os acordos dependem exatamente dos dois lados”.

Fernando Pinto desvalorizou o impacto dos prejuízos de 109,6 milhões até junho – que comparam com 64,6 milhões de euros no período homólogo -, considerando que “o primeiro semestre é sempre mais difícil”. “E no segundo estamos a caminhar com as dificuldades normais”, acrescentou.

O gestor reforçou que o processo de privatização da TAP se está a fazer em tempo “recorde”, uma vez que “normalmente não leva menos do que um ano”, enquanto neste caso poderá estar fechado “em menos de seis meses, se correr como esperado”.

Ainda antes, na sua intervenção, Fernando Pinto tinha prometido “uma revolução em termos de estratégia” na TAP, com a entrada dos novos acionistas, Humberto Pedrosa e David Neeleman, considerando ser “muito importante a entrada de pessoas com ideias diferentes”.

“A grande revolução é a nova frota: estamos a falar de 53 novos aviões. Vamos ter aviões médios que vão poder fazer longo curso”, explicou, referindo as oportunidades no Brasil, Estados Unidos, em África e no leste europeu.


Pires de Lima reitera otimismo 


Também o ministro da Economia, Pires de Lima, mostrou-se esta terça-feira otimista sobre a privatização da TAP e adiantou que o processo "vai ser concluído no tempo certo e da forma correta".

"A privatização da empresa obedece precisamente à necessidade de dar continuidade ao negócio da TAP e dar-lhe condições de capitalização, e ela vai ser concluída no tempo certo e da forma correta", afirmou Pires de Lima.


A Autoridade da Concorrência (AdC) aprovou a 2 de outubro a venda de 61% do capital da TAP ao consórcio Atlantic Gateway, de Humberto Pedrosa e David Neeleman, considerando que o negócio não cria entraves significativos à concorrência.

A TAP tem uma dívida aos bancos que ronda os 647 milhões de euros, a maioria dívida de curto prazo que tem de ser paga no espaço de um ano. O contrato de venda da companhia à Gateway, assinado em junho passado, previa que a dívida fosse reestruturada pelo Estado, mas até agora não há qualquer acordo para rever prazos de pagamento aos credores, pelo que a privatização pode estar em risco
  
Fonte oficial do Executivo confirmou à TVI que tem havido contactos, mas não se chegou a qualquer acordo final com os bancos.