A Inspeção-geral de Finanças decidiu abrir um inquérito sobre a funcionária da entidade que integra a lista swissleaks após o primeiro contacto da TVI a pedir esclarecimentos, no dia 10 de março. O nome de Filomena Martinho Bacelar foi noticiado pela TVI, na quinta-feira à noite, dia 12, e só depois da divulgação das duas reportagens sobre o envolvimento desta funcionária no caso é que a IGF publicou uma nota na sua página na Internet.

Filomena Martinho Bacelar tinha, em 2006/2007, cerca de 2,5 milhões de dólares em duas contas, em conjunto com dois familiares, na filial suíça do HSBC. Às contas estão associadas duas sociedades offshore com sede nas ilhas Virgens britânicas (território britânico nas Caraíbas): a Bordel Investment Holdings Limited e a Pernell Enterprises Limited.

O Ministério das Finanças já tinha enviado na véspera um e-mail à TVI, alegando que o assunto era «exclusivamente do foro pessoal» da funcionária Filomena Martinho Bacelar.





Nessa nota, o gabinete de imprensa afirma que «apesar de se tratar de um assunto do foro familiar sem relação com a sua atividade profissional», a direção, que é encabeçada pelo inspetor-geral, Vitor Braz, «determinou de imediato a abertura de um inquérito». O inquérito será da responsabilidade de uma «entidade externa e independente».





No início de fevereiro, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) divulgou documentos confidenciais sobre o ramo suíço do banco britânico HSBC Private Bank, revelando alegados esquemas de evasão fiscal. A TVI já divulgou outros pormenores sobre a lista de Portugal.


No fim de fevereiro, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, anunciou que a administração fiscal já tinha recebido a lista com os contribuintes portugueses e que seria cruzada com informação da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) já detém sobre os contribuintes portugueses com contas bancárias na Suíça e que seria objeto de «todos os procedimentos previstos na lei».