A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) informou esta quarta-feira que vai lançar “nas próximas semanas” um novo concurso para criação de uma rede de bicicletas partilhadas na cidade, após a exclusão das candidaturas apresentadas.

“É objetivo da EMEL lançar novo concurso nas próximas semanas, não estando previstas alterações ao modelo do concurso inicialmente definido”, afirmou a empresa, numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

De acordo com a mesma entidade, “os motivos de exclusão das diferentes propostas apresentadas são formais, nomeadamente por incluírem documentos em língua estrangeira, e não têm qualquer relação com a qualidade das propostas”.

Em outubro passado, a EMEL lançou um concurso público para “aquisição, implementação e operação do Sistema de Bicicletas Públicas Partilhadas na cidade de Lisboa”, com um valor base de 28.904.000 euros e um prazo contratual de 108 meses (nove anos).

Na altura, a empresa explicou à Lusa que o concurso visava “identificar e contratar a empresa que vai fornecer e instalar toda a parte física do sistema, nomeadamente as 1.400 bicicletas e as 140 estações [postos de recolha] que estarão espalhadas em zonas estratégicas ao longo da cidade de Lisboa”.

Dos critérios de adjudicação - previstos no concurso inicial e que se manterão - fazem parte a “proposta economicamente mais vantajosa” (que vale 50% no coeficiente de ponderação), a experiência de utilização da bicicleta (30%), as componentes funcionais (10%) e a imagem (10%).

O jornal Público avançou, na sua edição de hoje, que os 11 concorrentes para explorar o sistema de bicicletas de uso partilhado em Lisboa foram excluídos.

Segundo o jornal, que teve acesso a um relatório preliminar do júri do concurso, foram 13 as entidades que manifestaram interesse, mas duas não chegaram a apresentar propostas.

Apesar desta situação, segundo a resposta enviada à Lusa, a EMEL acredita “ser possível a realização de um teste piloto no final deste ano”, isto “se não existirem novos impedimentos”.

Para a empresa municipal, “o elevado interesse que este modelo suscitou, demonstrado pelo número alargado de candidatos a concurso, prova que o modelo é adequado” e traduz-se em “concorrência e contratação nas melhores condições para a EMEL e para a Câmara”.

“Acreditamos que este é o melhor modelo […], pois permite à cidade adaptar o tarifário e as regras de utilização do ‘bike sharing’ ao longo do tempo e utilizar este sistema como uma ferramenta de gestão da mobilidade”, defendeu, acrescentando que tal modelo “transmite conhecimento e competência à EMEL sobre esta área de negócio” e prepara-a “para o futuro”.

Em dezembro passado, o vereador do CDS-PP no município lisboeta, João Gonçalves Pereira, apontou várias críticas ao modelo, considerando que todos os riscos irão recair sobre o município.

Hoje, o autarca reiterou a apreciação, referindo que a falta de informação sobre o projeto o leva a crer que “não existe um ‘business plan’ [modelo de negócio]”.

“Não estamos a falar de tostões, estamos a falar de milhões”, vincou.