O encerramento da estação dos CTT do Socorro, em Lisboa - entre as 22 lojas que vão fechar em todo o país - levou a um protesto de cerca de três dezenas de pessoas, esta manhã, junto àquela estação, que será uma três que irão fechar na capital.

Gritando palavras de ordem como “os CTT são do povo” e “encerrar é um roubo”, elementos do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) distribuíram panfletos e empunharam cartazes.

À ação juntaram-se os vereadores na Câmara de Lisboa do PCP João Ferreira e do Bloco de Esquerda, Ricardo Robles, assim como as deputadas do BE Mariana Mortágua e Isabel Pires.

Deparámos que vão encerrar 22 estações no país, três em Lisboa, e esta mesmo no centro da cidade, numa zona histórica, junto ao Martim Moniz, onde a população sénior depende muito destes serviços para receber a pensão e fazer pagamentos. A população vai ter de se deslocar para outros locais da cidade com prejuízo da sua qualidade de vida”, criticou Ricardo Robles.

O vereador bloquista lembrou ainda que houve uma lógica de saque predadora do PSD/CDS-PP “sobre este serviço público dos CTT”.

“Não há situações irreversíveis”, disse o vereador João Ferreira, apelando ao Governo que impeça o encerramento das estações.

O MUSP agendou hoje uma outra ação junto à estação dos CTT da Junqueira, em Lisboa, para defender a manutenção desta estação dos correios, no dia em que no parlamento são hoje ouvidos o regulador, sindicatos, trabalhadores e os utentes na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

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O deputado do bloco de Esquerda Moisés Ferreira criticou também hoje o anunciado encerramento dos serviços dos CTT na Universidade de Aveiro, considerando que vai prejudicar o funcionamento daquela instituição de ensino superior.

Não aceitamos o encerramento desta estação. Ela é necessária à própria Universidade, que tem cerca de 15 mil alunos e 1.500 docentes. Até para o funcionamento dos vários departamentos e laboratórios de investigação esta estação é importante, porque faz a receção diária da correspondência, além de tudo o que as outras fazem”.

As afirmações do deputado foram corroboradas pelo presidente da concelhia bloquista, Nelson Peralta, que salientou que se trata de “um serviço público essencial à atividade daquele que é um centro de investigação de excelência”.

A Universidade de Aveiro “é considerada uma das melhores do país e da Europa e trata-se de um serviço público que é usado diariamente”, reforçou Peralta, lembrando que em 2013 já fecharam várias estações de correios no concelho.

Em dezembro passado, os CTT divulgaram um Plano de Transformação Operacional, que prevê a redução de cerca de 800 trabalhadores na área das operações em três anos, um corte de 25% na remuneração fixa do presidente do Conselho de Administração e do presidente executivo, além da otimização da implantação de rede de lojas, através da conversão de lojas em postos de correio ou do fecho de lojas com pouca procura.

Já este ano, os Correios confirmaram o fecho de 22 lojas no âmbito deste plano de reestruturação, situação que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar 53 postos de trabalho.

A privatização dos CTT, que rendeu aos cofres do Estado mais de 900 milhões de euros, foi feita a dois tempos – em 2013 e em 2014 – em operações que renderam, respetivamente, 579 milhões de euros (70% do capital social da empresa a 5,52 euros por ação) e 343 milhões de euros (30% do capital social detido pela Parpública ao preço de 7,25 euros por ação).