O aumento do endividamento vai piorar os perfis de crédito das 200 maiores empresas da China este ano, exigindo que os bancos do país levantem até 1,7 milhões de milhões de dólares (1,52 biliões de euros) em capital para cobrir um provável aumento do crédito malparado até 2020, disse a Standard & Poor's num relatório citado pela Reuters.

O estudo não vê grande margem para melhorias em 2017 e alerta para a maior alavancagem e excesso de capacidade em quase todos os setores.

A dívida tem aparecido como um dos maiores desafios da China, com a mesma a subir para 250% do Produto Interno Bruto (PIB).

Cerca de 70% das empresas, citadas no estudo da S&P, são de propriedade do Estado, e respondem por 2,8 milhões de milhões de dólares (2,5 biliões), ou 90% da dívida total das companhias analisadas.

A S&P estima que a percentagem de créditos com problemas em bancos chineses já estava em 5,6% no final de 2015. Num cenário mais pessimista, esta fatia poderá piorar para 11 a 17% do total do crédito.

Em tal situação, os bancos precisariam de até 1,7 milhões de milhões de dólares (1,52 biliões de euros) de recapitalização em 2020, estima a S&P. Mesmo sob o cenário base, seriam necessários 500.000 milhões de dólares (447.000 milhões de euros).

Um estudo que surge na semana em que o primeiro-ministro, António Costa, está numa visita oficial à China. E quando as relações entre os dois países estão mais estreitas que nunca. Ainda na semana passada, primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, enalteceu o aprofundamento das relações entre a China e Portugal e os "excelentes resultados" da cooperação entre as empresas dos dois países em terceiros mercados, nomeadamente na América Latina.