A ordem para pagar o reembolso de 750 milhões de euros ao FMI por parte da Grécia já foi dado, confirmaram esta segunda-feira duas fontes do Ministério das Finanças grego.

"A ordem para pagar ao FMI já foi executada", disseram as fontes à Reuters.


A ordem de pagamento desta tranche vai de encontro ao que o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, adiantou esta manhã. O governante reiterou que Atenas queria e ia fazer esse pagamento.

O prazo para pagar estes 750 milhões de euros terminava esta terça-feira. Este é o segundo pagamento por parte de Atenas em poucos dias: na quarta-feira, o governo pagou 204 milhões de euros em juros ao fundo.

Os ministros das Finanças da zona euro estão reunidos em Bruxelas esta tarde. Várias vozes têm afastado a hipótese de um acordo hoje, mas o governo helénico e os parceiros estão esperançosos quanto a progressos nas negociações.

Esta manhã, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, desafiou a Grécia a avançar para um referendo.
 

"Se o governo grego acha que deve fazer um referendo, então deve fazê-lo. Talvez seja a medida acertada para deixar o povo grego decidir sobre está disposto a aceitar as condições ou se quer outro caminho".

Ajuda financeira marcada pelo impasse

Desde fevereiro que o chamado Grupo de Bruxelas - que junta a Grécia e as instituições que formavam a troika (Comissão, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) - está em discussões sobre reformas a serem adotadas pela Grécia que permitam ultrapassar o impasse e transferir para os cofres gregos a última tranche do atual programa de resgate, cuja parcela ascende a 7,2 mil milhões de euros.

No entanto, para isso acontecer ainda são precisos muitos avanços, sobretudo nas pensões, no mercado laboral e nas privatizações, matérias em que as partes ainda têm profundas divergências.

Além do acesso à última tranche do resgate, para Atenas também é importante alguma flexibilização por parte do BCE, nomeadamente o aumento do valor da linha de emergência em que os bancos gregos se podem financiar e a não colocação de mais exigências aos colaterais apresentados pelos bancos gregos para irem buscar dinheiro ao banco central.

A Grécia gostaria ainda que o BCE permitisse que o tesouro helénico pudesse emitir mais dívida pública de curto prazo.

Sobre este assunto, o presidente do Eurogrupo, Dijsselboem, reiterou a frase de que o "BCE é independente" e que não será o Eurogrupo a "indicar o que o BCE deve fazer".