O comissário europeu dos Assuntos Económicos acredita que opinião do Eurogrupo sobre o projeto orçamental português será semelhante à do executivo comunitário.

"Apresentarei a opinião da Comissão sobre o projeto de orçamento de Portugal. Depois de discussões aprofundadas e um diálogo construtivo, a Comissão pôde concluir que este projeto não contraria as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, embora apresente riscos de não conformidade. É isso que repetirei dentro de alguns minutos ao Eurogrupo, que penso que abordará este orçamento com o mesmo espírito, um espírito construtivo", declarou Pierre Moscovici.

Defendendo que, além do respeito das regras de política económica, é fundamental que Portugal prossiga também as "reformas estruturais que permitam muscular a sua produtividade, criar empregos, sobretudo para os jovens, e assegurar a solidez orçamental e financeira", o comissário considerou que a mensagem que o Eurogrupo deixará hoje ao Governo português irá no mesmo sentido.

"Estou certo de que essa será também a mensagem do Eurogrupo: respeitem as regras, mas prossigam as reformas", de forma a fortalecer a economia portuguesa, afirmou.

Ainda sobre o parecer da Comissão Europeia, que na passada sexta-feira deu "luz verde" ao projeto de orçamento, embora apontando para riscos de incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento, Moscovici assegurou que os executivos de Bruxelas e Lisboa "continuarão a trabalhar de forma estreita", para garantir que as regras são respeitadas.

"Temos três meses para trabalhar. Estou confiante de que trabalhando todos os dias de forma séria, trabalhando todos os dias forma construtiva, conseguiremos assegurar a estabilidade orçamental", assim como o reforço da produtividade e da competitividade, disse.

Os ministros das Finanças da zona euro vão discutir hoje, em Bruxelas, o plano orçamental português para 2016, à luz da opinião da Comissão Europeia, que na semana passada aprovou o documento após intensas negociações com o Governo, representado no encontro de hoje pelo ministro Mário Centeno.