Fernando Pinto vai deixar a presidência da TAP. Foi o próprio a comunicá-lo, num e-mail enviado esta quinta-feira de manhã aos trabalhadores, a que a TVI24 teve acesso. Ao mesmo tempo que é comunicada a saída, é anunciado o nome proposto pelos acionistas da Atlantic Gateway para seu sucessor: Antonoaldo Neves, um gestor de 42 anos, com dupla nacionalidade (brasileira e portuguesa) e mais de 25 anos de experiência no setor.

Antes do Natal passado, o gestor anunciou a criação de quatro novas rotas a partir do Porto e, sobre o seu futuro, adiantou apenas que estava nas "mãos dos acionistas". Agora, neste início de 2018, as dúvidas ficam desfeitas.

"É com grande orgulho que comunico que em breve estarei me afastando da direção executiva da nossa Empresa. Estes 17 anos na TAP foram a experiência mais enriquecedora da minha carreira. Não teria conseguido fazê-lo sem cada um de vós, de todos, os que já cá estavam quando cheguei e de todos os que foram entrando e que vi crescer profissionalmente com o passar dos anos, tal como a companhia", lê-se no e-mail enviado por Fernando Pinto aos funcionários da transportadora aérea.

O gestor despede-se do cargo, mas não da empresa.

A TAP é hoje três vezes maior do que quando eu aqui cheguei e cresceu muito também neste dois anos de privatização. É hoje também uma das maiores empregadoras do país. Saio com a certeza de que a empresa está numa rota de crescimento. O nosso caminho é crescer. E irei acompanhar esse crescimento de perto, uma vez que continuarei ligado à companhia nos próximos dois anos enquanto assessor da TAP. Não é assim, nem jamais será, um adeus. É altura de fazer um balanço e ele é muito positivo".

Entrou na companhia em 2000, com uma missão, que cumpriu 15 anos depois. "A minha missão, foi-me dito no primeiro dia, era privatizar a TAP".

Antonoaldo Neves: o senhor que se segue

A escolha de Antonoaldo Neves para seu sucessor é muito bem acolhida por Fernando Pinto, que dá a indicação de que a aprovação para CEO da TAP terá lugar já em assembleia-geral a realizar ainda este mês, no dia 31 de janeiro.

Não podia estar mais contente e entusiasmado com esta escolha para assumir os destinos da TAP. É a pessoa certa, e pela qual tenho grande admiração. Aliás, fui eu mesmo quem o convidou para nos ajudar no programa de crescimento que lançámos há dois anos, o que lhe permitiu conhecer detalhadamente a companhia".

Antonoaldo Neves

Fernando Pinto elogia o conhecimento - "o grande know how no setor" - de Antonoaldo Neves e a sua experiência enquanto consultor da Mckinsey e membro do Conselho de Administração da empresa brasileira de aeroportos, a convite do Estado brasileiro.

Fala ainda da ligação dos dois a Portugal. "Temos mais em comum: o Antonoaldo, tal como eu, tem antepassados do Norte e também tem cidadania portuguesa".

Estou absolutamente seguro de que com a liderança de Antonoaldo, a TAP continuará neste incrível processo de crescimento. Assim, o meu sentimento hoje é de absoluta realização profissional e pessoal. De missão cumprida. A empresa está no bom caminho e sinto-me plenamente realizado".

Cronologia: 17 anos de voos altos e baixos na TAP

Antes, realçou que deixa a companhia com uma "estratégia clara e bem definida, bem posicionada numa estratégia de crescimento". Lembra que 2017 fechou com mais de 14 milhões de passageiros transportados. "Uma meta que parecia inalcançável até há bem pouco tempo".

Para além disso, sublinhou que o quadro acionista é estável e a TAP tem "parcerias e alianças que lhe permitem voar mais alto numa quadro global, com uma nova equipa de excelência, preparada e conhecedora da realidade da empresa e que tenho vindo a acompanhar, e continuarei a fazê-lo, desde a privatização", que ocorreu há dois anos. 

O Governo já expressou o seu “inequívoco reconhecimento” a Fernando Pinto, num comunicado divulgado entretanto.

O percurso do novo presidente da TAP

Antonoaldo Neves adora futebol, corrida e ciclismo ao ar livre. Não é um novato na TAP. Já integrava o Conselho de Administração e a Comissão Executiva, enquanto Chief Commercial Officer, além de ter participado "ativamente" no processo de privatizaçãom informa a companhia.

Antes de integrar a Administração da TAP, foi presidente executivo da Azul Linhas Aéreas, "companhia que ajudou a consolidar e onde liderou o processo de fusão com a Trip", em 2012, em conjunto com o dono da TAP David Neeleman.

No seu currículo, consta ainda a abertura das Bolsas de Nova Iorque e de São Paulo, do capital da Azul Linhas Aéreas. Foi também responsável pela expansão internacional desta empresa, com foco nos Estados Unidos da América. Interveio ainda no processo de investimento da HNA, tanto na Azul como na TAP.

Integrou durante vários anos a equipa da McKinsey, empresa de que viria a tornar-se sócio global, "e onde desenvolveu diversos projetos de aviação e de infraestruturas no setor privado na América Latina".

Foi nomeado membro do Conselho de Administração da Infraero, a empresa brasileira de aeroportos, pelo governo do Brasil, com a pasta do planeamento do setor aéreo brasileiro entre 2011 e 2012.

Foi também diretor executivo da construtora brasileira Cyrela, entre 2010 e 2012, e começou a carreira na Odebrecht, como Engenheiro de Montagem de Obras Eletromecânicas.

Licenciado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, tem um MBA pela Darden School of Business da Universidade de Virgínia (EUA) e um Mestrado em Finanças Corporativas pela PUC do Rio de Janeiro.

Nasceu a 5 de março de 1975, tem dupla nacionalidade, brasileira e portuguesa. O seu avô é de Oliveira de Azeméis. É natural de Salvador, na Baía.  Casado, tem três filhos e escolheu Cascais para viver com a família.