O jornal britânico, The Sun diz que o banqueiro português está a ser pressionado para deixar a liderança executiva do Lloyds Bank depois de, alegadamente, ter utilizado dinheiro da instituição para usufruir de tempo de lazer com Wendy Piatt, antiga conselheira de Tony Blair com a qual, segundo a mesma publicação, mantém um envolvimento fora do casamento.

O The Sun dá conta de encontros no hotel em que Horta Osório estava instalado numa viagem de trabalho à Ásia, paga pelo banco. Encontros que põem a reputação do banqueiro em causa, depois do mesmo jornal noticiar jantares que se sucederam ao dito encontro no quarto do luxuoso hotel Mandarin Oriental em Singapura. Um local que também era palco de uma conferência sobre banca em que Horta Osório era orador.

O jornal britânico diz ainda que teve acesso à conta do hotel do banqueiro que, só em 2014, ganhou cerca de 12,8 milhões de euros . Uma conta de quase 4.000 libras (4.687 euros) que incluiu tratamentos no luxuoso spa do hotel.

O Lloyds já reagiu oficialmente. O banco garante que não houve "nenhuma violação" da política de gastos da instituição e que o caso é uma "questão pessoal” do presidente executivo.

Mau estar no coração financeiro de Londres

Mas o tema pode ganhar outros contornos já que a notícia caiu mal na City – o coração financeiro de Londres.

O analista de mercados David Buik disse ao The Sun que "este é um comportamento reprovável" e que o contrato do banqueiro "deve ser rescindido". "Quando se está debaixo dos holofotes públicos, no topo de um banco que custa biliões de libras aos contribuintes, o comportamento tem que ser completa e absolutamente exemplar", acrescentou.

O mesmo analista recordou que, desde o resgate, o Lloyds não tem tido a melhor postura com os clientes já que lhes custou 18,7 mil milhões em reembolsos. E "isto só deita mais lenha na fogueira”.

Os contribuintes têm o direito de esperar um certo padrão de comportamento por parte da gestão de um banco que, em parte, possuem", referiu David Buik. "Os executivos seniores devem ser melhores que nós porque estão constantemente sob escrutínio. Se não gostam disso não devem aceitar o trabalho", concluiu o analista.

Mas um porta-voz do Lloyds reforçou ainda que a política de despesas “é muito clara: o grupo irá custear as despesas comerciais, legítimas, incorridas pela nossa equipa”.

As despesas pessoais são pagas por cada um. Nestes casos não há exceções à nossa política e as despesas pessoais são pagas pelo António", assegurou.

"O Lloyds tem vindo a recuperar a saúde financeira ao longos dos últimos cinco anos, sob a lidera do António, e está bem posicionado para continuar a suportar a economia do Reino Unido e ajudar o país a prosperar", acrescentou.

Horta Osório, de 52 anos, cultiva uma imagem de um banqueiro acima de qualquer suspeita e homem de família. Quando foi nomeado presidente executivo do Lloyds, em 2011, disse estar determinado a "liderar pelo exemplo" e que tinha aceitado o cargo porque a mulher, Ana, o aconselhara a fazê-lo.