O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (Sitra) criticou esta quarta-feira a “forma apressada” e “pouco transparente” com que o Governo conduziu o processo da subconcessão da STCP, defendendo que a gestão da empresa “pode e deve” manter-se pública.

Em comunicado, o Sitra afirma que “a pressa é má conselheira e pode tornar a emenda pior que o soneto”.

Para o sindicato, o recente anúncio de que “a empresa Alsa é a vencedora do ajuste direto da concessão da STCP confirma que a febre concessionária e privatizadora do Governo tem muito mais a ver com opções ideológicas do que com a gestão económico-financeira da empresa”.

“O argumento de que a gestão privada é melhor, mais eficiente e trará mais poupanças para o Estado carece de fundamentação e, sobretudo, de comprovação objetiva”, sublinha o Sitra, estrutura para a qual “a tese de que todas as virtudes se encontram na gestão privada e todas as vicissitudes na gestão pública é pura e simplesmente uma falácia”.

O sindicato defende que o processo de subconcessão da STCP “deve ser abandonado”, argumentando que “a gestão pública também é eficaz e o Estado não pode demitir-se das suas funções relativamente a determinados serviços públicos, como sejam o de transportes numa grande área metropolitana como a do Porto”.

“Importante era envolver também na gestão da empresa as autarquias do grande Porto servidas pela STCP”, destaca, acrescentando que “as sinergias que daqui resultariam beneficiariam certamente os trabalhadores, os utentes, a empresa e a região”, mantendo o Estado “uma posição que lhe permitiria assegurar a efetiva qualidade dos serviços prestados às populações”.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, anunciou na sexta-feira que a Alsa apresentou a melhor proposta à subconcessão da STCP, adiantando que a proposta é mais favorável financeiramente do que a apresentada há meses pelo consórcio espanhol TMB/Moventis.

Neste processo de ajuste direto, lançado recentemente depois de o consórcio espanhol que venceu o concurso público internacional não ter apresentado a garantia bancária necessária para assumir a operação da STCP, é ainda desconhecido o relatório final do júri do concurso, que deverá ficar concluído esta semana.