A UGT aguarda "com ansiedade" a retirada do Procedimento por Défice Excessivo, já que no ano passado o país conseguiu um défice abaixo de 3% (2016 fechou nos 2%). Prevê-se que isso aconteça antes do verão.

O secretário-geral da UGT transmitiu isso mesmo, esta terça-feira, aos deputados da comissão de trabalho e assuntos fiscais do parlamento alemão, que se deslocaram a Portugal.

Demos uma perspetiva positiva do crescimento económico do país e aguardamos com muita determinação e alguma ansiedade a retirada do procedimento por défice excessivo e que o Governo da Alemanha transmita esta posição a quem de direito”.

A delegação da comissão alemã esteve hoje reunida com a central sindical na sua sede, em Lisboa, e levaram para casa várias mensagens sobre Portugal.

A UGT sublinhou a necessidade de transmitir na Alemanha que é preciso perceber “os enormes sacrifícios que os portugueses sofreram por causa da ‘troika’” e agora que o país se encontra num ritmo de crescimento. “Tentámos por isso transmitir uma mensagem de confiança, mas também de determinação”, disse Carlos Silva à Lusa, no final do encontro.

“De uma forma geral os partidos com assento no parlamento alemão estiveram representados e é evidente que cada um tem uma leitura diferente, mas havia interesse em perceber se a UGT estava satisfeita ou via como positiva a atuação do Governo, e nós, naturalmente, que transmitimos que sim, que víamos que a preocupação estava presente nas políticas do Governo”, disse Carlos Silva.

A UGT sublinhou ainda que “há uma grande e continuada vontade” da central sindical em persistir com o aumento do salário mínimo pelo menos até aos 600 euros até ao final da legislatura. Lembrou os deputados que se deslocaram a Portugal que o país é o terceiro da União Europeia com a mais elevada precariedade em termos de contratos de trabalho.

Quando às vezes se acusa Portugal de não flexibilizar mais, por exemplo os despedimentos, são leituras que não têm em conta que Portugal é um País onde 90% ou mais das empresas são micro e pequenas empresas por isso não se pode aplicar um modelo de um país e replicá-lo porque as questões são diferentes. Vamos manter a pressão no combate à precariedade, apoiando o Governo no atual processo de integração dos precários e insistir na negociação coletiva”.

 Carlos Silva disse terem sido vários os temas abordados durante o encontro desta manhã. Entre eles, 

  • a evolução da economia portuguesa nos últimos anos
  • a forma como a UGT entende que está a ser efetuada a governação
  • o cumprimento dos vários indicadores macroeconómicos
  • o problema da dívida e de uma eventual reestruturação da dívida