Os sinais de recuperação da economia portuguesa e o anúncio da retirada de estímulos às economias do euro, por parte do Banco Central Europeu, estão patentes no sucesso do leilão de dívida portuguesa desta quarta-feira. 

Portugal foi hoje ao mercado e colocou 1.250 milhões de euros em dívida a 10 anos tendo pago um juro de 1,939% contra os 2,327% na última emissão comparável.

A taxa de 1,939% representa uma poupança significativa face aos últimos leilões que instituto que gere a dívida pública portuguesa - IGCP -  tem realizado nesta maturidade. Na última operação, a 13 de outubro, antes da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2018 (OE). Foram emitidos 750 milhões de euros em OT com maturidade em 2027, a uma taxa de 2,327%.

É o valor mais baixo de sempre num leilão desta maturidade, em abril de 2027, cerca de 10 anos. No que toca à procura superou em 1,57 vezes a oferta. 

O instituto que gere a dívida pública portuguesa - IGCP - tinha anunciado que iria colocar um montante indicativo entre 1.000 e 1.250 milhões de Obrigações do Tesouro, o que significa que conseguiu colocar tudo, no topo da sua melhor expetativa. 

Para João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa:  "Foi um resultado fenomenal para o nosso nível de risco e para a alavancagem da nossa economia. Portugal ser capaz de endividar-se a 10 anos a uma taxa de 1,9% era algo que não imaginávamos ver. Representa uma excelente poupança em juros para o país, que assim baixa o custo médio da sua dívida. É que não é só o juro ser baixo, trata-se de dívida longa."

Acrescentando que "as razões para esta descida são conhecidas: a melhoria no rating da S&P, a eventual melhoria da notação dada pelas outras agências, as boas notícias da economia portuguesa mas, acima de tudo isto um fator mais importante: as taxas das dívidas soberanas europeias tem estado a corrigir e nós aproveitamos esse contexto. Não é só um efeito em Portugal. Aliás, isso vê-se nas taxas que estão a ser feitas no mercado secundário que rondam hoje os 1,955%.”