A taxa de desemprego terá caído para 8,5% no terceiro trimestre. "Este valor é inferior em 0,3 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 2,0 p.p. ao do trimestre homólogo de 2016", anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE). E é o valor trimestral mais baixo, estimado, desde o 7,8% que o INE divulgou para o quarto trimestre de 2008.

A população desempregada, estimada em 444 mil pessoas, registou uma diminuição trimestral de 3,8% (menos 17,4 mil), prosseguindo as diminuições trimestrais observadas desde o 2.º trimestre de 2016. Em relação ao trimestre homólogo, verificou-se uma diminuição de 19,2% (menos 105,5 mil).

Por seu lado, a população empregada, estimada em 4.803 mil pessoas, verificou um acréscimo trimestral de 0,9% (mais 42,6 mil) e um aumento homólogo de 3% (mais 141,5 mil), prolongando a série de variações homólogas positivas observadas desde o quarto trimestre de 2013.

A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) foi de 24,2%, mais 1,5 p.p. do que no trimestre anterior e menos 1,9 p.p. do que no trimestre homólogo de 2016.

Nos jovens dos 15 aos 34 anos, 11,8% não estavam empregados, nem em educação ou formação, o que representa um aumento de 1,0 p.p. face ao trimestre anterior e uma diminuição de 1,5 p.p. face ao homólogo.

A proporção de desempregados à procura de emprego há 12 e mais meses (longa duração) foi de 57,3%, menos 1,9 p.p. do que no trimestre anterior e menos 5,8 p.p. do que no trimestre homólogo de 2016.

A taxa de subutilização do trabalho foi de 15,8%, tendo diminuído 0,8 p.p. face ao trimestre anterior e 3,0 p.p. em relação ao terceiro trimestre de 2016.
Nestas estimativas trimestrais foi considerada a população com 15 e mais anos e os valores não são ajustados de sazonalidade.

O ministro do Trabalho considerou que os números da evolução do emprego hoje conhecidos confirmam de "forma muito intensa" a tendência positiva de diminuição do desemprego, mas salientou que a precariedade é "ainda um problema muito sério".

Em Braga, à margem de uma aula aberta na Escola de Direito da Universidade do Minho, VieIra da Silva realçou que o "mais importante" nos números hoje revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) é que mostram que a diminuição do desemprego está a ser feita "com a criação líquida" de emprego.

"Hoje tivemos os dados do terceiro trimestre do INE, que confirmaram de forma muito intensa a tendência positiva da evolução do emprego e do desemprego, atingimos uma taxa de desemprego de 8,5%, ainda não há muito tínhamos de alguma forma celebrado baixar a taxa de 10%", afirmou Vieira da Silva.

No entanto, segundo o ministro, "mais importante do que isso é que essa diminuição do desemprego está a ser feita com a criação líquida de emprego".

"No último ano foram criados cerca de 240 mil postos de trabalho, o que quer dizer que há uma dinâmica muito forte no mercado de trabalho que tem vindo a diminuir o desemprego e a alimentar o crescimento da economia", afirmou.

Apesar da confiança demonstrada, o ministro admitiu que há questões preocupantes.

"A precariedade é ainda um problema muito sério. O emprego com vínculos mais estáveis tem ainda um peso demasiado elevado em Portugal", considerou o ministro.

Confrontado com o aumento do desemprego de jovens face ao trimestre anterior, o responsável pela pasta do Trabalho desvalorizou os números.

"O desemprego jovem tem sempre um ciclo anual, por comparação com o mesmo trimestre do ano passado há uma descida significativa. O desemprego jovem é muito influenciado pelo final de um ciclo escolar e temos toda a confiança que vai continuar a trajetória descendente", explicou.