O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros o fim do teto que limitava os salários da administração na Caixa Geral de depósitos.

De acordo com o documento divulgado, após a reunião extraordinária de ministros, foi aprovado um “decreto-lei que estabelece a alteração do Estatuto do Gestor Público”.

“A proposta vem determinar a não aplicação do regime previsto naquele estatuto aos administradores designados para instituições de crédito integradas no Setor Empresarial do Estado, qualificadas como “entidades supervisionadas significativas”, acrescenta, referindo-se obviamente à única instituição de crédito do Estado, a Caixa Geral de Depósitos.

O fim do teto salarial terá sido, de resto, uma das condições de António Domingues para assumir os destinos do banco público. Usando como argumento a necessidade de poder escolher uma equipa sem constrangimentos salariais.

Outras das condições que terá sido imposta pelo banqueiro foi capitalização do banco, um processo que está em marcha.

Uma das vozes que já ontem se tinha manifestado contra a possibilidade deste fim de teto, agora confirmado, foi o secretário-geral da CGTP. Arménio Carlos classificou como "imoral" um aumento dos vencimentos dos gestores da CGD e defendeu a recapitalização do banco público, mas sem qualquer contrapartida de redução de trabalhadores.

A nova equipa do banco do Estado contará com António Domingues e mais seis executivos. A que acrescem 12 administradores não executivos, incluindo Leonor Beleza e Rui Vilar.

Os jornalistas ainda tentaram obter um comentário, sobre esta decisão do Governo socialista, de aprovar um decreto-lei que altera o estatuto do gestor público,mas explicações foram remetidas para o ministro das Finanças.

"Relativamente à alteração do estatuto de gestor público, no sentido de reforçar o conselho de administração da CGD e dar-lhe a importância devida que tem para nós como banco público, o ministro das Finanças dará todas as explicações, da parte da tarde ou amanhã de manhã, sobre o diploma aprovado", limitou-se a afirmar a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques.

Anterior presidente ganhava 16.578,28 euros brutos por mês

De acordo com o relatório e contas da CGD relativo a 2014, o presidente executivo, José de Matos, ganhava 16.578,28 euros brutos por mês, sendo que a menor fatia remuneratória na comissão executiva ficava para o vice-presidente, Nuno Fernandes Thomaz que arrecadava 8.647,80 euros brutos por mês. Ao abrigos das regras estipuladas em 2014, ficou ainda definido que os executivos do banco publico poderiam optar por receber de remuneração uma média dos últimos três anos no local de origem. Uma regra que levava os vogais conseguissem remunerações entre os 11 e os 13 mil euros brutos mensalmente.