O Fundo Monetário Internacional defende que deve ser reforçada a regulação e supervisão das autoridades sobre a indústria dos fundos de investimento, sobretudo para avaliar o impacto na estabilidade do sistema financeiro.

De acordo com o Relatório de Estabilidade Financeiro, conhecido esta quarta-feira, os reguladores dos valores mobiliários devem estar mais atentos às empresas de intermediação financeira e ter uma intervenção mais intrusiva, «apoiada em padrões globais em matéria de supervisão e melhores dados e indicadores de risco», como testes de stress.

O FMI defende que, atualmente, a supervisão centra-se na proteção dos investidores e na divulgação de informação, mas que é preciso ir mais longe, até uma abordagem macroprudencial, que consiga avaliar o impacto de toda a indústria de intermediação financeira na estabilidade do sistema financeiro global.

Apesar de a intermediação financeira ter várias vantagens, como permitir aos investidores diversificar os seus ativos ou o financiamento à economia real, tem também riscos para o sistema financeiro, agravados com o cada vez maior peso desta indústria nas economias avançadas e a aposta em ativos menos líquidos (em busca de melhores taxas de juro).

O FMI considera, assim, que devem ser equacionadas várias medidas, como reformas na regulação e supervisão, para abarcar a abordagem macroprudencial, regras de liquidez, definição de ativos líquidos e mesmo restrições aos investimentos.

Os fundos de investimento têm diversos perfis, desde os que investem em instrumentos financeiros simples (plain vanilla, na gíria financeira') aos que investem em produtos muito complexos e arriscados. Em ambos os casos há riscos a considerar, lembra o FMI.