Portugal está a recuperar, mas..... O Fundo Monetário Internacional (FMI) dá particular atenção ao crescimento das despesas futuras, pela via do aumento da despesa com salários – fruto das reposições de salários na função pública e do descongelamento das carreiras.

“O Governo devia ter cuidado com o aumento permanente dos gastos, que reduz a flexibilidade quando as condições [do ciclo económico] mudarem”, refere o FMI, acrescentando que “essa atenção é, particularmente, importante no que diz respeito a decisões que vão afetar a trajetória na “conta” com salários do Estado, nos próximos anos.”

Esta é uma das conclusões do relatório elaborado após a sexta visita a Lisboa, no âmbito do desfecho do programa de ajuda externa.

A instituição liderada por Christine Lagarde reconhece que as condições de curto, médio prazo em Portugal se “mantem favoráveis”, suportadas pela recuperação do investimento, por um crescimento continuado das exportações e consumo privado. Indicadores que contribuem para que as metas traçadas para 2017 e 2018 “sejam alcançáveis.” Mas, fica o alerta: há riscos externos, que podem fazer perigar este cenário, a que acrescem a incerteza em Espanha e a falta de “progresso nas reformas [estruturais].”

A verdade é que “o crescimento sustentável” é fundamental para “diminuir as vulnerabilidades” que derivam dívidas, pública e privada elevada, diz o relatório

Para o Fundo “as atuais condições, favoráveis fornecem a oportunidade para [Portugal] ser mais ambicioso ao nível da consolidação orçamental e até ao nível de uma redução mais acelerada da dívida pública.” Uma opinião que já tinha também manifestado em meados do mês passado.

Acresce que “um ajustamento focado na reforma duradoura das despesas deverá ser mais sustentável e favorável ao crescimento.”

O Fundo faz ainda uma referência aos esforços no sector bancário, para aumentarem a sua liquidez e reduzir os ativos tóxicos.

Os alertas do FMI surgem no mesmo diz de outros deixados por Bruxelas, na sua sétima avaliação pós programa de resgate. A Comissão Europeia diz que o ajustamento estrutural está em risco de desviar-se "significativamente" dos objetivos. Por isso pede ao Executivo para conter a despesa pública e de utilizar os ganhos na redução da despesa com juros.

Tanto o FMI como a Comissão e o Banco Central Europeu insistem que o Governo deve aproveitar o bom momento da economia para acelerar a consolidação orçamental e reduzir a dívida pública.

Num comunicado à imprensa, o ministério de Mário Centeno diz que "os comunicados de ambas as missões confirmam os progressos positivos em áreas chave da economia portuguesa registados ao longo de 2017."

E assegura que "o Governo prosseguirá o rumo até agora seguido, através de uma gestão rigorosa das contas públicas e do fomento da competitividade da economia, tendo por objetivo a promoção de um crescimento sustentado e inclusivo, numa perspetiva de médio e longo prazo. Os desafios que se colocam ao país estão claramente identificados no Programa Nacional de Reformas (PNR). O Governo continuará a implementação do PNR de forma decidida dando, assim, resposta a várias das preocupações expressas pelas instituições internacionais."