O Papa Francisco aprovou uma proposta para manter o Instituto para as Obras da Religião (IOR), o Banco do Vaticano, afirmando «a importância da sua missão para o bem da Igreja Católica», anunciou esta segunda-feira o Vaticano.

Francisco confirmou a opção que parecia mais provável, a manutenção de uma instituição mais reduzida e melhor controlada.

O encerramento da instituição foi sugerido e desejado por algumas pessoas, sobretudo depois dos escândalos de atividades de branqueamento de dinheiro.

«O Papa aprovou uma proposta sobre o futuro do IOR, reafirmando a importância da sua missão para o bem da Igreja Católica, a Santa Sé e o Estado do Vaticano. O IOR vai continuar a servir com prudência e fornecer os seus serviços financeiros especializados à Igreja Católica em todo o mundo», referiu o comunicado do Vaticano.

Graças à «confirmação da missão do IOR» (...), o presidente da instituição, Ernst Von Freyberg, nomeado pelo papa Bento XVI há pouco mais de um ano, e a sua direção vão poder «finalizar o seu plano para assegurar que o IOR possa cumprir a sua missão como parte das novas estruturas financeiras da Santa Sé».

Este plano «será apresentado ao conselho de cardeais do papa e ao novo conselho para a economia».

«Os serviços benéficos que podem ser oferecidos pelo IOR ajudam o papa na sua missão de pastor universal e ajudam também as instituições e pessoas que colaboram com o papa Francisco», explicou o Vaticano.

De acordo com a nota, as suas atividades estarão «sobre a supervisão da Autoridade da Informação Financeira (AIF ¿ órgão de controlo criado por Bento XVI e reforçado pelo papa Francisco)», e «um quadro legal e institucional para regular as atividades financeiras dento da Santa Sé e do Vaticano».

O cardeal australiano George Pell, que dirige o novo secretariado (ministério) da Economia, confirmou a importância de um «alinhamento» do quadro jurídico e de regulamentação do Vaticano «com as melhores práticas em vigor a nível internacional».

Numa reação transmitida à agência AFP, o porta-voz do IOR, Max Hohenberg, saudou «o reconhecimento (pelo papa) pela validade da missão de serviço e o trabalho feito durante os últimos doze meses».

O papa Francisco comprometeu-se em realizar uma reforma no IOR, instituição afetada por numerosos escândalos financeiros, nomeadamente com o branqueamento de capitais da máfia.

O IOR é a instituição financeira pela qual passam os fundos das atividades das congregações do mundo inteiro.

Instituições católicas, eclesiásticas, os empregados e ex-empregados do Vaticano, as embaixadas e diplomatas acreditados podem ter contas no IOR. As contas que não estavam inscritas nestas categorias foram fechadas.

No final de 2012, os fundos dos clientes eram de 6,3 mil milhões de euros, geridos pelo IOR, que dispõe de um património líquido de 769 milhões de euros.