As taxas máximas aplicadas aos contratos a crédito vão subir no primeiro trimestre do ano que vem. Os dados foram revelados hoje pelo Banco de Portugal.

Segundo o documento da instituição, os cartões de crédito terão uma taxa de juro máxima de 16,4%, o que compara com os 16,1% atuais. O valor da taxa também sobe no caso do crédito automóvel para carros novos, cuja taxa passa de 5,2% no quarto trimestre deste ano para 5,3%. E quem contrair crédito ao consumo para as finalidades de Educação, Saúde, Energias Renováveis e Locação Financeira de Equipamentos também vai pagar mais juros. Já no que toca a Outros Créditos Pessoais (sem finalidade específica, lar, consolidado e outras finalidades) a taxa baixa ligeiramente nos primeiros meses do ano que vem. 

 

Tipo de contrato de crédito TAEG máximas
4.º Trimestre 2017 1.º Trimestre 2018
Crédito pessoal Finalidade Educação, Saúde, Energias Renováveis e Locação Financeira de Equipamentos 5,5% 5,6%
Outros Créditos Pessoais (sem finalidade específica, lar, consolidado e outras finalidades) 13,8% 13,6%
Crédito automóvel Locação Financeira ou ALD: novos 5,1% 5,2%
Locação Financeira ou ALD: usados 6,3% 6,3%
Com reserva de propriedade e outros: novos 9,8% 9,7%
Com reserva de propriedade e outros: usados 12,3% 12,3%
Cartões de crédito, Linhas de crédito, Contas correntes bancárias e Facilidades de descoberto 16,1% 16,4%

Os dados surgem no mesmo dia em que o Banco de Portugal revelou que estar preocupado com o elevado endividamento das empresas e das famílias. 

É fundamental que as instituições financeiras continuem a avaliar adequadamente e de forma prospetiva a capacidade de crédito dos mutuários, evitando a assunção de riscos excessivos nos novos fluxos de crédito, nomeadamente no crédito à habitação”, diz um relatório publicado esta quarta-feira.

O Banco de Portugal quer que se dê corda à redução da dívida,  em especial ao Estado, para que a reduza de forma mais acelerada. "Afigura-se crucial que o atual enquadramento macroeconómico e financeiro seja encarado como uma oportunidade para a redução do endividamento da economia e de reforço do ajustamento estrutural das finanças públicas".

O atual elevado endividamento da economia portuguesa continua a ser um risco para a estabilidade financeira, já que torna a economia mais vulnerável a "choques adversos". Apesar de este ano se esperar uma "inversão da trajetória da dívida pública", é necessário reforçar a sua redução.