A reunião de acionistas do BPI foi mais uma vez adiada, agora  para 21 de setembro, a pedido do maior acionista, o CaixaBank, o mesmo que lançou uma Oferta para ficar com a maioria do banco português.

Uma decisão que contou com o apoio de 91% do capital presente. Em causa o facto de ainda não haver decisão judicial sobre as providências cautelares, de outro acionista, que travaram a assembleia anterior.

Em conferência de imprensa, o presidente do conselho de administração, Artur Santos Silva, disse que a opção pelos 15 dias de adiamento, sugerida pela Caixabank, se prende com a circunstância de "até 20 dias não ser necessário fazer um novo registo para a assembleia-geral, nos termos dos estatutos".

A nova suspensão não é uma novidades, já que se esperava que assim fosse, tendo em conta que a assembleia de 22 de julho foi travada pela acionista portuguesa Violas Ferreira Financial, que detém 2,7% do BPI, e que interpôs duas providências cautelares.

Até à data de hoje não houve qualquer deliberação sobre o pedido de providência cautelar solicitada pelo acionista", disse Santos Silva. Acrescentando que a mesa da assembleia tinha hoje outra composição na sequência de outra providência do mesmo acionista, Violas Ferreira Financial.

Sem decisão judicial não será possível levar a bom porto um dos intuitos da assembleia-geral que previa desblindar estatutos para encaixar a Oferta Pública de Aquisição do CaixaBank sobre a instituição liderada por Fernando Ulrich.

Ontem, o espanhol El Confidencial dizia que o CaixaBank está a ponderar retirar a oferta, que lançou a 1,113 euros por título, por temer que o processo se arraste em tribunal. Segundo fontes próximas da negociação, citadas pelo jornal, a entidade espanhola anunciará a nos próximos dias se a situação não for desbloqueada.

Santos Silva assegura que não leu "nenhum comunicado do Caixabank". E leu, "efetivamente, a notícia" do jornal espanhol que não o surpreende.

Todos sentimos uma grande intranquilidade por este assunto, fundamental para o futuro do bano não estar resolvido", assumiu.

 

Compreendo que o acionista, muito representativo do banco, tenha sentido intranquilidade [... não é apenas o caso do CaixaBank", acrescentou o banqueiro.

A OPA do Caixabank sobre o BPI foi anunciada em abril, depois de o banco espanhol não ter conseguido chegar a acordo com o acionista angolano Santoro - empresa de Isabel dos Santos com mais de 18% do capital -  sobre uma solução e, sobretudo, para a redução da exposição a Angola, onde o BPI tem o Banco Fomento de Angola (BFA).

Artur Santos Silva assegurou aos jornalistas que a situação não prejudica o banco, apesar da resolução do impasse ser o desejável.

Não prejudica nada. O banco continua bem, em todos os seus aspetos de funcionamento. Evidentemente, que todos preferiríamos que esta situação estivesse resolvida", garantiu.