O Governo, o PCP e o Bloco de Esquerda voltam a reunir-se no início da próxima semana sobre o Programa de Estabilidade, com o executivo socialista a salientar a ausência de qualquer sério obstáculo nesta matéria.

Na terça-feira passada, segundo fonte do executivo, o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, reuniram-se pela primeira vez com o PCP e com o Bloco de Esquerda, tendo em cima da mesa o Programa de Estabilidade - documento que contém as metas macroeconómicas do Estado Português para os próximos anos e que tem de ser entregue até ao final do mês em Bruxelas.

A mesma fonte do Governo adiantou à agência Lusa que, face ao conjunto de questões colocadas pelas delegações do Bloco de Esquerda e do PCP, no início da próxima semana, o Governo "disponibilizará informações complementares", estando assim previstas novas reuniões.

Para esta terça-feira, esteve também prevista uma reunião destes dois membros do Governo com o PS, mas que acabou por não se realizar por o porta-voz socialista, João Galamba, estar ocupado com a comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif.

Em relação ao curso das conversações com o PCP e Bloco de Esquerda, a convicção no executivo socialista é que "tudo decorre sem qualquer carga dramática" e "não há obstáculos inultrapassáveis". Ontem, o BE voltou a salientar que as suas "balizas" são "conhecidas".

Por isso, para o executivo, o cenário mais provável é que nenhuma destas forças políticas (PCP, Bloco de Esquerda ou "Os Verdes") apresente uma resolução na Assembleia da República em matéria de Programa de Estabilidade, o que obrigaria a uma votação do documento, num tema delicado em que os socialistas não têm consenso à sua esquerda.

"Tanto o Bloco de Esquerda, como o PCP, têm consciência que a política europeia, sobretudo na vertente do Tratado Orçamental, é um constrangimento para Portugal", disse à agência Lusa a mesma fonte do executivo.

Os programas Nacional de Reformas (este já apresentado pelo executivo) e o de Estabilidade têm debate marcado para o próximo dia 27 na Assembleia da República. Nesse sentido, em termos de calendário, o executivo aponta para o período próximo de dia 21 para concluir esses dois programas, entregando-os então na Assembleia da República.