O setor da hotelaria, alimentação e bebidas vai realizar uma quinzena de luta na Páscoa. O ponto de partida é a 19 de março, com uma greve nas cantinas, por melhores condições de trabalho.

Em comunicado, a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) explica, ainda, que a quinzena de luta termina com uma ação nacional junto à Associação Patronal e do Ministério da Economia, a 4 de abril. 

Haverá greves, concentrações de protesto e outras lutas nos diversos setores e empresas cujos contornos ainda estão a ser acertados pelos sindicatos”.

Em causa está a negociação salarial, o aumento do trabalho precário no setor e a retirada de direitos fundamentais.

Na nota, a FESAHT lembra que o setor está a crescer sucessivamente desde 2013.

Apesar disso, a contratação coletiva continua bloqueada e muitos milhares de trabalhadores não têm aumentos salariais há muitos anos e o trabalho precário aumentou no setor”.

De acordo com a Federação, a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT) recusou negociar aumentos salariais desde 2011 e insiste em retirar direitos.

O Grupo Pestana recusa negociar salários desde 2009. No ano de 2016 deu um mísero aumento salarial no decorrer das negociações do Acordo de Empresa, mas insiste em retirar direitos fundamentais para assinar um novo Acordo de Empresa e dar aumentos salariais”.

Também a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) “tem recusado negociar o Contrato Coletivo de Trabalho das cantinas desde 2003 e não dá aumentos salariais desde 2010”.

“A Liga dos clubes não negoceia aumentos salariais desde 2010 e insiste na retirada total de direitos, no setor do jogo, há empresas que recusam a negociação da contratação coletiva e a Estoril Sol recusa cumprir o Acordo de Empresa e as associações patronais da panificação, moagens, abate de aves, carnes, agricultura recusam negociar”, exemplifica a Federação.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), no conjunto de 2017, os estabelecimentos hoteleiros registaram 20,6 milhões de hóspedes e 57,5 milhões de dormidas, a que corresponderam aumentos anuais de 8,9% e 7,4%, respetivamente.

Os proveitos totais aumentaram 16,6% e os de aposento 18,3%.