Uma segunda-feira negra, como há muito não se via, em Wall Street, que tem estado a pintar de vermelho todas as praças da Europa esta terça-feira.

A bolsa de Lisboa abriu em terreno negativo, com o principal índice, o PSI20, a cair 2,89% para 5.248,92 pontos [a meio da manhã ainda desce mais de 1%]. Na segunda-feira, o índice português encerrou com uma descida de 2,02% para 5.405,31 pontos, acompanhando a tendência negativa das bolsas europeias.

Das 18 cotadas que integram o PSI20, 17 desceram e uma, a Corticeira Amorim, subiu. A Pharol liderou as descidas com uma perda de 10,07%.

A Europa ressente-se do tombo do mercado norte-americano.

O Dow Jones registou no fecho da sessão de ontem uma desvalorização histórica de 1.500 pontos o que traduziu uma variação de menos 6%. No Japão, o Nikkei225 perdeu 7,07% depois de testar valorizações equivalentes à década de 90 do século passado.

Uma queda que ocorreu num dia em que não foram divulgadas notícias relevantes.

Para o diretor da banca online do Banco Carregosa, João Queiroz, “esta queda foi provocada, entre outros fatores, pela perspetiva mais próxima de aumentos das taxas de juro pela FED. As correções das obrigações vieram evidenciar as avaliações relativas das ações que já comportavam um prémio quando comparadas com as médias de 10 a 30 anos.”

Depois de fortes valorizações nos mercados acionistas registados nos últimos anos, sem se assistir a uma correção digna de registo, e de uma forte valorização logo no início deste ano, este movimento a que assistimos acaba por ser uma correção natural", refere João Lagarto,  gestor de ativos da Orey Financial.

Acrescentando que "as expectativas que a Fed possa aumentar taxas de juro a um ritmo maior do que inicialmente esperado acabou por levar a uma subida das yields das obrigações norte-americanas que levaram a uma pressão sobre o mercado acionista levando à correção a que estamos a assistir que está a abranger todos os sectores em geral."

No que toca aos setores, a queda foi mais visível na banca/ seguros e automóvel “por serem mais sensíveis ao sentimento e ao risco”. Os títulos da energia (crude e gás) também não escaparam “pelas valorizações, que acompanharam o crescimento do brent [petróleo negociado em Londres] aos $70/barril.” Acresce ainda as utilities “pelo maior endividamento e alavancagem”, opina o diretor da banca online do Banco Carregosa.  

Na sessão desta terça-feira, Lisboa continua a não estar sozinha no sinal vermelho.

Na abertura o Dax30, na Alemanha, derrapava 4,9% e o Cac40 decrescia 4,6%.

Com os contratos de futuros de índices dos EUA a evidenciarem ganhos, houve uma recuperação e melhoria do sentimento, mas que ainda sugere alguma cautela”, alerta João Queiroz.

Com o mercado de ações em queda livre “a procura por ativos de menor risco percebido, como Iene Japonês, metais preciosos e dívida soberana dos EUA e Alemanha está a ser significativa”, acrescenta ainda o analista.