A Grécia tem até ao dia 16 de fevereiro para pedir a extensão do programa de resgate, disse o presidente do Eurogrupo,  Jeroen Dijsselbloem, esta sexta-feira, em entrevista à Reuters.

«O tempo vai tornar-se muito curto, se eles (Grécia) não pedirem uma prorrogação (até à data)», afirmou o responsável do Eurogrupo e também ministro das Finanças holandês.

O governo grego reiterou esta sexta-feira a necessidade de um financiamento temporário de ajuda ao país, mantendo a sua posição a uma semana de reuniões de alto risco.

A posição do governo, e a aproximação da data para o pagamento de juros dos empréstimos internacionais, motivou que agência de notação financeira Standard&Poor's baixasse hoje a nota da Grécia de «B» para «B-», ameaçando ir ainda mais longe.

O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras – líder do partido da esquerda radical Syriza que venceu por margem confortável as legislativas de 25 de janeiro –, solicita aos bancos centrais da zona euro 1,9 mil milhões de euros, a título dos lucros que obtiveram pela sua posse de títulos gregos, e o alargamento da capacidade de endividamento fixado pelos seus credores em 15 mil milhões de euros para 2015, disse hoje fonte governamental em Atenas citada pela agência noticiosa AFP.

O financiamento temporário deve permitir «negociar sem pressão e sem recorrer à chantagem», precisou a mesma fonte.

A mensagem foi dirigida a Berlim – que está a jogar com o tempo, enquanto se esvaem as fontes de financiamento da Grécia –, e a todos os apoiantes de uma «linha dura» na Europa. «Não faremos financiamentos temporários», assegurou hoje Dijsselbloem, segundo a agência Bloomberg.

Assim, a Grécia vai surgir muito pressionada na quarta-feira perante a reunião do Eurogrupo que reúne os 19 ministros das Finanças da zona euro, antes da cimeira de chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE) em Bruxelas.

De Atenas surge agora uma reivindicação que foi uma das bandeiras eleitorais do Syriza, coligado no governo com os nacionalistas Gregos independentes: ultrapassar os acordos firmados desde 2010 com os credores internacionais e que impõem um humilhante programa de austeridade em troca de empréstimos financeiros de 240 mil milhões de euros.

O novo governo grego pretende assim partir para as negociações sobre uma eventual renegociação da dívida em novas bases, com uma suavização da dívida através de ajustamentos financeiros e menos constrangimentos orçamentais.

Os novos líderes de Atenas consideram que um financiamento temporário poderá por termo às atuais divergências e permitir o início de um ambicioso programa de reformas, em particular no domínio fiscal.

A Alemanha, na liderança da «linha dura», considera pelo contrário que a Grécia deve respeitar os compromissos dos anteriores governos e respeitar os calendários fixados, sem qualquer regime de exceção, mesmo temporário.

Também esta sexta-feira, o ministro português da Economia, António Pires de Lima, defendeu em entrevista à Reuters que  «Grécia tem de cumprir como fez Portugal».