Os governadores do Banco Central Europeu (BCE) vão reunir-se esta quinta-feira, em Frankfurt, para decidir sobre as taxas de juro diretoras, numa altura em que os analistas esperam que estas taxas, que estão em mínimos históricos, permaneçam inalteradas.

Os analistas contactados pela Lusa esperam que o BCE mantenha a taxa de juro principal inalterada, nos 0,25%, mas antecipam que possa haver medidas não convencionais.

O economista do BPI Nuno Coelho disse à Lusa que «não deverá acontecer nenhuma alteração» às taxas de juro na reunião do Conselho de Governadores de quinta-feira, esperando que os juros das principais operações de refinanciamento permaneçam no mínimo histórico de 0,25%, fixado em novembro de 2013.

No entanto, o analista antecipa que sejam «introduzidas medidas alternativas», apontando como opções mais viáveis a emissão de «novos empréstimos de longo prazo, mas tendo como garantia que os bancos emprestam esse dinheiro às empresas e às famílias ou a suspensão da esterilização dos depósitos no BCE, de forma a que esse valor possa voltar aos bancos».

Além disso, Nuno Coelho refere que «há ainda a opção de descer a taxa de juro para negativo», embora acarrete riscos maiores: «Apesar de o BCE ter dito que está preparado, levar as taxas para valores negativos tem riscos muito grandes. No caso da Dinamarca, por exemplo, em vez de estimular o crédito, o resultado [dessa decisão] foi um aumento das taxas de juro dos bancos».

Também Filipe Garcia, presidente da Informação de Mercados Financeiros (IMF), prevê que haja «um endurecimento da retórica do BCE, em virtude de as duas principais dimensões, a inflação e a oferta monetária , estarem a correr mal», uma vez que «a inflação está baixa e a cair e o crescimento da massa monetária está a desacelerar».

«Francamente, não espero que haja qualquer alteração nas taxas de juro. Mas pode haver o anúncio ou o aviso - e mais provavelmente o aviso, da implementação de medidas não convencionais, como seja a não esterilização da compra de ativos que o BCE fez e/ou a criação de algum tipo de mecanismo que permita injetar liquidez no sistema de forma condicionada, para que o dinheiro seja emprestado pelos bancos», afirmou o economista.

Já Rui Bárbara, diretor de ativos do Banco Carregosa, considera que «há motivos para o BCE baixar taxas», mas diz que não ficará surpreendido se tal não acontecer, considerando que há pressões tanto para cortar como para subir os juros.

De acordo com o economista, as pressões para cortar novamente os juros prendem-se com «a inflação [que] tem descido bastante e está em níveis preocupantes» e com «a concessão de crédito à economia que está estagnada ou contraída, sobretudo no Sul da Europa».

Já as pressões para subir as taxas de juro assentam nos pressupostos de que «o BCE deve esperar um pouco mais, porque tradicionalmente a inflação em janeiro tem distorções, e seria mais fundamentado aguardar por mais indicadores de inflação» e que, «descendo já as taxas em 25 pontos base, fica praticamente esgotado o recurso a esta medida convencional, restando, a partir daí, um tipo de medidas mais próximo do 'quantitative easing' dos Estados Unidos».

Quanto à reação esperada dos mercados, tanto Nuno Coelho, do BPI, como Filipe Garcia, da IMF, consideram que os mercados já estão a antecipar um movimento não convencional, defendendo que «é normal» que as taxas Euribor acabem por estabilizar.