Mário Centeno, o ministro das Finanças, foi eleito presidente do Eurogrupo. Era o favorito na corrida e confirmou-se até antes da hora H. O atual homem forte do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, descaiu-se em direto, dizendo que o português seria o seu sucessor. Deu-o como certo logo à chegada ao Eurogrupo, num lapsus linguae que certamente ficará para a história do clube do euro.

O ministro português falhou a eleição à primeira volta porque não obteve a maioria, ou seja, os dez votos, mas ficou apenas a dois, segundo apurou a TVI.

A candidata letã, Dana Reizniece-Ozola, foi a primeira a abdicar da corrida. Deixando mais espaço a Centeno, Pierre Gramegna (Luxemburgo) e Peter Kazimir (Eslováquia), na segunda volta, na reunião do fórum informal de ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas.

Mas momentos depois foi a vez do ministro eslovaco desistir. Sendo que a segunda votação foi a dois, entre o ministro português e homólogo luxemburguês.

Depois da eleição, e ao lado do ainda presidente do fórum de ministros das Finanças da zona euro, Jeroen Dijsselbloem,  Mário Centeno agradeceu aos seus colegas.

“E é uma honra [ser o novo presidente] devido à relevância deste grupo, à qualidade dos meus colegas e à importância do trabalho que temos de fazer nos próximos anos”, declarou Centeno, que sublinhou que esse trabalho “tem de ser feito por todos os membros que pertence ao euro, Comissão, instituições europeias”.

Centeno, "o Ronaldo do Ecofin"

A alcunha/elogio foi protagonizada pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, em maio, no contexto não do Eurogrupo, mas do Ecofin, que junta os ministros das Finanças de toda a União Europeia e não só da zona euro.

Mas é representativa de como a opinião sobre o país mudou entre os seus pares europeus. O timing do elogio é de recordar: aconteceu na semana Comissão Europeia recomendou a saída de Portugal do procedimento por défice excessivo e em Mário Centeno voltou precisamente a ser um dos nomes falados para vir a liderar o Eurogrupo.

Candidatou-se mesmo à liderança do clube que reúne os ministros das Finanças dos 19 países da zona euro.

Ao apresentar ao que vinha, Centeno argumentou que a “robustez da condução da política económica, orçamental e financeira” dos últimos dois anos lhe dá “toda a confiança”.

E logo garantiu que pretende dar "um contributo construtivo", mesmo que "crítico às vezes" para "encontrar caminhos alternativos" na zona euro.

Hoje, à chegada, reforçou-o e mostrou-se, desde logo, confiante ao dizer que "o objetivo em qualquer eleição é ganhar" e, se possível, à primeira volta. Foi a cereja no topo do bolo.

Também não se esqueceu de lembrar que Portugal era visto, não há muito tempo, de um "ângulo, digamos, menos positivo", aludindo à ameaça de sanções de que o país foi alvo e ao desdém dos mercados. Mas o Governo "apresentou-se sempre numa posição de construção e de credibilização do país". 

Com 50 anos e natural de Olhão, Algarve, o ministro das Finanças assumiu a pasta a 26 de novembro de 2015 e rapidamente foi apontado generalidade da imprensa internacional como o grande favorito ao cargo.

O primeiro-ministro, António Costa, congratulou-se há poucos dias com o apoio da família socialista a Centeno e apregoou que a candidatura de Centeno visa reunir consensos.

Teremos pois, a partir de janeiro de 2018, Centeno ministro das Finanças e Centeno presidente do Eurogrupo. Os dois cargos são acumuláveis, mas o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já lhe pediu para não se esquecer que a pasta que detém em Portugal é "mais importante" e que é preciso "manter o caminho das finanças portuguesas".