O Banco Central Europeu (BCE) deverá manter as taxas de juro diretoras inalteradas na reunião de quinta-feira depois de no mês passada ter decidido cortar os juros das principais operações de refinanciamento para um mínimo histórico de 0,25%.

O corte decidido pelo conselho de governadores do BCE em novembro não era esperado pela generalidade dos analistas, até porque vários membros da instituição tinham dito em público que um maior corte nesta taxa teria efeitos diminutos nas condições de financiamento, mas ainda assim o BCE decidiu dar um sinal aos mercados.

Além do corte da taxa aplicada às principais operações de refinanciamento, o mecanismo ao abrigo do qual o BCE fornece a maior parte da liquidez ao sistema bancário, o Conselho de Governadores decidiu ainda baixar de 1% para 0,75% a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez, através da qual empresta dinheiro aos bancos a um dia. A facilidade permanente de depósito, que permite aos bancos fazer depósitos de muito curto prazo na instituição, manteve-se em 0%.

Para a reunião de quinta-feira não se esperam alterações nas taxas, apesar de se esperar que o Conselho de Governadores tome posição sobre novas projeções macroeconómicas para a zona euro.

A PIMCO, o maior fundo de obrigações do mundo, não espera sequer que o BCE prepare terreno nesta reunião para novos cortes nas taxas para o futuro.

Ainda assim, a PIMCO sugere que se a inflação estiver abaixo dos 1%, o BCE poderia avançar para um corte na taxa de depósitos para valores negativos, penalizando os bancos que decidissem continuar a parquear o seu dinheiro junto da instituição, com um novo empréstimo de longo prazo aos bancos ou mesmo um programa de compra ativos de grande dimensão.

Já o banco britânico Barclays sugere que o BCE pode vir a anunciar que vai publicar as minutas das reuniões do Conselho de Governadores ¿ uma prática comum nos Estados Unidos, com a Reserva Federal a divulgar ao público essas minutas -, onde estão as deliberações das reuniões e as posições de cada membro.

O italiano Unicredit também acredita que o BCE pode vir a lançar uma nova linha de cedência de liquidez aos bancos a longo prazo durante o próximo ano. Erike Nielsen, economista do braço de investimento do banco italiano, diz que os bancos não precisam desta linha mas que o BCE quer dar um sinal de flexibilização.

O economista Chris Turner, do banco holandês ING, acredita que na sequência da reunião de quinta-feira o BCE terá pouco a acrescentar ao que já disse em novembro quando cortou as taxas de juro para novos mínimos históricos, e que pode, no máximo, vir a sinalizar mais uma vez a sua intenção de manter as taxas baixas durante um longo período de tempo.

O cenário de uma cedência de liquidez com um prazo mais prolongado, segundo o ING, é muito improvável, mesmo que a inflação esteja abaixo dos 1%.