O presidente da Associação Sindical dos Funcionários da ASAE (ASF-ASAE) disse à agência Lusa que da reunião desta quinta-feira com o ministro da Economia, sobre a suposta lista VIP no setor, “não resultou absolutamente nada de significativo”.

Antes, o ministro António Pires de Lima considerara “positivo” o encontro, embora não lhe tivessem sido apresentadas provas sobre uma alegada lista VIP.

O presidente da ASF-ASAE, Albuquerque do Amaral especificou à Lusa que os representantes sindicais “reafirmaram na totalidade as afirmações” que fizeram. “O ministro disse que eram insinuações, dissemos que eram verdade”, acentuou.

Albuquerque do Amaral acrescentou também que, no encontro desta quinta-feira, “houve um assumir da reunião que houve na secretaria de Estado, promovida pelo secretário de Estado, entre quadros da ASAE e o agente económico” em causa, na base do levantamento das suspeitas.

Pires de Lima “achou que foi uma boa iniciativa [mas] nós achamos que não”. Independentemente da legitimidade desta reunião, entre quadros da ASAE e o agente económico, Albuquerque do Amaral considerou que “a haver, a haver, deveria ser na ASAE”.

Na terça-feira, a ASF-ASAE denunciou situações em que os inspetores foram proibidos de inspecionar determinados agentes económicos e em que as brigadas receberam ordens para abandonar os locais que estavam a fiscalizar.

Para a associação, este tipo de situações levanta uma questão: "Estaremos em abstrato perante uma 'lista VIP' da Inspeção Económica".

Logo neste mesmo dia, o Ministério da Economia rejeitou as alegações, ao considerar ser “absolutamente falsa” a existência de uma “lista VIP” da inspeção económica e recusar as acusações feitas pelo sindicato da ASAE de ter sido proibida a fiscalização a determinados agentes económicos.

Por junto, o dirigente sindical considerou que “o que está em causa é o que o ministro sentiu a imagem em causa” e que “há um desculpabilizar do ministro” e uma procura de identificar os inspetores da ASAE como “os maus da fita”.

Para o futuro imediato, o responsável da ASF-ASAE garante que a associação sindical “vai estar atenta a situações eventuais de represálias”.

No encontro desta quinta-feira, além de refutar a base da denúncia da ASF-ASAE, que a reafirmou, Pires de Lima alegadamente não terá falado de mais nada. “Não se preocupou em abordar outros aspetos que se vivem na ASAE, que também são graves. O que aliás lhe dissemos”, afirmou Albuquerque do Amaral.

Na quarta-feira, a associação sindical mencionou um estudo divulgado recentemente que, considerou, revelou o facto de, “na ASAE, a meritocracia se encontrar enfraquecida, o ingresso se fazer sem concursos (os famosos paraquedistas, que continuam a chegar) e as promoções a dependerem essencialmente do amiguismo, das relações pessoais e de outras forças obscuras”.

A ASAE é responsável pela fiscalização de cerca de 900 mil empresas e, segundo dados do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, entre 2006 e 2012, a ASAE fiscalizou 287.047 operadores, instaurou 13.108 processos-crime e 68.013 processos de contraordenação, deteve 6.257 pessoas e apreendeu 149.476.523 milhões de euros em mercadorias.