O presidente dos CTT, Francisco de Lacerda, admitiu esta quarta-feira que os Correios de Portugal estão interessados na aquisição do ActivoBank, garantindo que não há ainda negociações neste momento.

«Agora que se sabe que o BCP admite alternativas em relação ao Activobank que passam pela sua venda ou outros figurinos iremos trabalhar nessa frente e ver as condições, as características concretas e vamos olhar para o tema, com o objetivo de ponderar as vantagens e os inconvenientes, os custos, as soluções, os figurinos, estamos com a cabeça aberta nessa linha», afirmou o presidente dos CTT na conferência de imprensa de apresentação dos resultados da empresa.


Francisco de Lacerda sublinhou, contudo, que o processo «está muito no princípio, não há nada de concreto», e que os CTT estão a «aguardar conhecer as condições exatas» que envolvem o negócio.

Mas «uma coisa é certa. Estamos com o nosso projeto a andar, tem objetivo, tem target, tem calendário […] mas vamos olhar seriamente para o assunto sem que isso ponha minimamente em risco o nosso objetivo fundamental que é abrir o Banco Postal de base orgânica».

No passado dia 24 de fevereiro, o BCP anunciou que está numa fase inicial do processo de avaliação de vários cenários estratégicos que valorizem o banco online ActivoBank, pelo que atualmente não pode assegurar que tal venha a resultar numa qualquer operação.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Banco Comercial Português (BCP) «informa que se encontra em processo de avaliação de vários cenários estratégicos que promovam a valorização do ActivoBank, o banco online de referência em Portugal» e que, «em devido tempo», irá informar «sobre eventuais desenvolvimentos relevantes decorrentes de tal processo».

Os CTT anunciaram também que vão investir 30 milhões de euros no Banco Postal este ano, cujo projeto deverá arrancar no último trimestre de 2015, anunciou esta quarta-feira o presidente dos Correios de Portugal, Francisco de Lacerda.

«A implementação do Banco Postal está em curso, os gastos estão em linha com o plano de negócios, o desenvolvimento do sistema informático central já começou, estamos a contratar pessoas e o lançamento continua previsto para o último trimestre deste ano.»


O presidente dos CTT referiu que «o objetivo do investimento no Banco Postal este ano é de 30 milhões de euros, dentro dos 100 milhões euros globais referidos» a quando da apresentação do Banco.

«Somando 20 milhões de euros, que é aquilo que estimamos e investimos por ano nos nossos outros negócios, dá um total de 50 milhões de euros para este ano.»


O lucro da empresa liderada por Francisco de Lacerda subiu 26,5% no ano passado, face a 2013, para 77,2 milhões de euros, e os rendimentos operacionais totais cresceram 2,4% para 717,8 milhões de euros.

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) recorrentes (antes de rendimentos e gastos recorrentes) subiram 9,9% para 135,1 milhões de euros.

Francisco de Lacerda afirmou ainda que os CTT são «obrigados» a respeitar a lei sobre branqueamento de capitais e desvalorizou as questões colocadas em torno da corrida aos certificados de aforro, em janeiro.

«Os CTT são obrigados a respeitar a regulamentação das leis que tratam do branqueamento de capitais e, obviamente, que o fazem e fazem-no com naturalidade e com a normalidade em todas as suas atividades financeiras. Referem às autoridades responsáveis aquilo que é suposto referir, tem regras bem claras, de fiscalização e auditoria. Eu não acho que haja nada de relevante nesta fase.»


A posição do presidente dos Correios surge na sequência de declarações à Antena 1 e ao «Jornal de Negócios» da eurodeputada socialista Ana Gomes que questiona se houve branqueamento de capitais na corrida aos certificados em janeiro, admitindo que uma parte do montante investido pode ter servido para lavagem de dinheiro, e avança que vai alertar a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) para a questão.

Já esta manhã, no parlamento, a presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) disse acreditar que as regras de prevenção de branqueamento de capitais foram cumpridas na corrida aos certificados em janeiro.

Confrontada pelos jornalistas sobre esta posição, Cristina Casalinho recordou que há dois canais de subscrição dos Certificados de Aforro e de Tesouro: através do ‘homebanking’ do IGCP e pelos CTT.

«Há um contrato que o IGCP tem com os CTT que assegura que os CTT cumprem com as regras de [prevenção de] branqueamento de capitais que o Banco de Portugal recomenda», disse.

«Acredito que todo o processo foi conduzido com as maiores das lisuras e que, portanto, as regras foram cumpridas», afirmou a presidente do IGCP.

O Estado arrecadou quase dois mil milhões de euros em Certificados de Aforro e do Tesouro em janeiro, antes de o Governo ter alterado as taxas de rendibilidade destes produtos de poupança, a partir de fevereiro.