O principal tribunal administrativo da Grécia, o Conselho de Estado considerou, esta sexta-feira, o referendo de domingo legal, noticia a Reuters.

"Rejeitado", afirmou Nikolaos Sakellariou, presidente do Conselho de Estado, acrescentando que "o referendo vai ser realizado".

O Conselho de Estado recusou assim o pedido de dois cidadãos gregos contra o referendo marcado para domingo. Os peticionários pediam ao tribunal que cancele o referendo, alegando que este viola a constituição por fazer uma pergunta sobre as "finanças públicas" e que a questão do referendo está redigida em linguagem que pode confundir o povo grego. 

O referendo realiza-se já no domingo, mas para qualquer resultado há cenários possíveis: há caminhos que podem ir dar à saída da Grécia da zona euro, mas também há outros que podem conduzir o país a um novo resgate. Saiba o que significa dizer "Sim" ou "Não" no referendo da Grécia

Esta sexta-feira ficou a saber-se que os bancos gregos só têm dinheiro até segunda-feiraA líder da associação de bancos da Grécia fez as contas e a "almofada de liquidez" é de, apenas, mil milhões de euros.

A revelação feita pelos próprios bancos aconteceu horas depois de Alexis Tsipras e Yannis Varoufakis se terem pronunciado sobre a situação do país.

O primeiro-ministro lembrou os gregos que é o próprio FMI que dá razão ao governo grego ao admitir "o óbvio" sobre a dívida, ao dizer que é insustentável e precisa de ser reestruturada. O primeiro-ministro voltou a afirmar que quer um corte de 30% da dívida grega e um período de 20 anos sem pagar, indo ao encontro da análise do FMI divulgada na quinta-feira. Tsipras renovou, ainda, um apelo ao "não" no referendo como resposta ao ultimato e à chantagem dos credores.

Já o ministro das Finanças grego assegurou que um acordo com os credores está "mesmo à mão" e que as negociações com as instituições europeias têm estado a desenrolar-se, apesar da anunciada suspensão das mesmas. 

Ainda esta manhã, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, advertiu que uma vitória do 'não' no referendo de domingo na Grécia vai “ enfraquecer dramaticamente” a posição negocial grega, e, mesmo em caso de triunfo do 'sim', as negociações serão “difíceis”.