Mais de dois mil imóveis foram vendidos no centro histórico de Lisboa em 2015, num total de 709 milhões de euros, segundo dados da Confidencial Imobiliário, divulgados esta quinta-feira, revelando que 46% destas transações concentram-se na Baixa e Chiado.

Durante o ano de 2015, as vendas de imóveis no centro histórico de Lisboa ascenderam a 2.199 operações”, afirmou em comunicado a Confidencial Imobiliário, responsável pelo novo sistema de estatísticas de transações de imóveis para esta zona da capital - SIR.RU.

Os dados apurados correspondem à análise de 25 bairros do centro histórico de Lisboa, localizados nas freguesias da Misericórdia, Santa Maria Maior e São Vicente, com informação sobre “a venda quer de prédios quer de frações, reabilitados ou por reabilitar, nas áreas de habitação, retalho e serviços”.

De acordo com a análise do SIR.RU, no total do valor transacionado em imóveis em 2015 nestes 25 bairros, “a Baixa/Cruzes da Sé e o Chiado são os bairros mais dinâmicos, concentrando 46% destas transações”.

Em termos de fração dos imóveis, o preço médio de venda no centro histórico de Lisboa para as unidades de retalho usadas foi de 2.000 euros por metro quadrado, um valor que duplicou para 4.070 euros por metro quadrado no caso de lojas já reabilitadas.

Em relação a imóveis para habitação, as unidades usadas foram transacionadas por um valor médio de 2.513 euros por metro quadrado, enquanto que as frações reabilitadas registaram um valor médio de venda de 3.756 euros por metro quadrado.

As tipologias T0 e T1 são as mais transacionadas no centro histórico de Lisboa” para uso residencial, verificou o sistema SIR.RU.

Segundo os dados apurados, os imóveis de serviços são os que apresentam menor diferencial entre o preço de venda nos usados [valor médio de 2.104 euros por metro quadrado] e nos reabilitados [valor médio de 2.577 euros por metro quadrado].

Nos diferentes bairros analisados, o valor médio de venda de prédios para reabilitação variou entre os 814 e os 2.793 euros por metro quadrado, informou a Confidencial Imobiliário.

A Lusa solicitou informação à Confidencial Imobiliário sobre as vendas de imóveis no centro histórico de Lisboa em anos anteriores a 2015, de forma a comprar com os dados divulgados hoje, mas até ao momento não obteve resposta.

Em comunicado, o diretor da Confidencial Imobiliário, Ricardo Guimarães, referiu que o SIR.RU é um “sistema que representa um avanço muito significativo na análise do mercado imobiliário desta zona histórica de Lisboa”, explicando que permite segmentar os preços de venda por bairros, por tipo de imóvel e setor, assim como pela existência ou não de obras de reabilitação.

Neste momento, o SIR.RU incide apenas nas freguesias lisboetas da Misericórdia, Santa Maria Maior e São Vicente, mas pretende-se que a análise seja alargada às freguesias da Estrela, Campo de Ourique e Santo António.

A Confidencial Imobiliário é uma revista independente, especializada na produção e difusão de indicadores de análise do mercado imobiliário, detendo índices e bases de dados sobre investimento e sobre os mercados de compra e venda e de arrendamento de fogos, com detalhe à freguesia.

 

Município de Lisboa arrecada mais de 7 milhões de euros com venda de 15 prédios

A Câmara de Lisboa arrecadou esta quinta-feira 7,3 milhões de euros, mais do dobro do valor previsto, com a venda de 15 prédios urbanos, no âmbito do programa Reabilita Primeiro, Paga Depois, informou o município.

Tínhamos 15 prédios em hasta pública e vendemos os 15. Os prédios tinham um preço base de 3,7 milhões de euros e o valor total arrematado foi 7,3 milhões de euros", disse à agência Lusa o diretor municipal de Gestão Patrimonial, António Furtado.

Os imóveis situam-se na Penha de França, Santo António, Santa Maria Maior, São Vicente, Ajuda, Beato, Misericórdia, Campo de Ourique e Marvila.

De acordo com António Furtado, a hasta pública - que se iniciou perto das 10:00 e só terminou depois das 18:00 - contou com 138 candidatos.

O interesse das pessoas pelas hastas está bem patente e esta foi uma hasta com muita disputa e muita concorrência em todos os prédios, desde os de valor mais elevado aos de valor mais baixo", observou o responsável.

No que toca ao tipo de interessados, "manteve-se o perfil que já conhecemos do programa [Reabilita Primeiro, Paga Depois], em que há uma média de 50-50 entre empresas e pessoas em nome individual", assinalou António Furtado.

Criado em 2013, o programa Reabilita Primeiro, Paga Depois prevê a venda de prédios municipais devolutos para serem recuperados.

O pagamento à Câmara pode ser efetuado até à conclusão da reabilitação, que varia entre 21 e 28 meses, tendo em conta o licenciamento, a execução das obras e a colocação do imóvel no mercado.

Os compradores que optarem pelo pronto pagamento têm um desconto de 10% sobre o valor da compra.

Para nós, este foi mais um sucesso do Reabilita Primeiro, Paga Depois, não só por causa do resultado financeiro, mas porque é uma garantia de que mais 15 prédios vão estar reabilitados na cidade no prazo máximo de dois anos", referiu o responsável da Direção Municipal de Gestão Patrimonial.

Nestes três anos de programa, realizaram-se oito hastas públicas, nas quais foram vendidos todos os 118 prédios ali colocados.

O valor arrecadado até agora com o Reabilita Primeiro, Paga Depois é de cerca de 35 milhões de euros.