A queda abrupta das ações do Millennium bcp ontem ficou a dever-se sobretudo a vendas de fundos 'index trackers' para replicarem a nova composição do índice MSCI Global, que deixou de integrar o banco, disse um porta-voz do BCP, citado pela Reuters, reiterando "plenamente" as perspetivas de negócio e resultados.

Ontem, a cotação das ações do maior banco privado português em ativos tombou 10,78% para um novo mínimo histórico de 0,0273 euros, levando a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a proibir vendas a descoberto com estes títulos durante a sessão de hoje.

"A descida da cotação da ação ontem do Millennium bcp estará, em grande parte, relacionada com a correção técnica decorrente da recomposição das carteiras detidas pelos designados 'index trackers', que passaram a replicar a nova composição dos índices MSCI Global Standard Indexes, no âmbito da sua revisão semestral", refere o porta-voz do banco citado pela Reuters.

A MSCI anunciou a 12 de Maio a nova composição do MSCI Global Standard Indexes, que não passava a integrar o Millennium bcp a partir de 1 de Junho.

"O desempenho da ação do BCP (ontem) foi semelhante ao ocorrido com um outro banco europeu (Banco Popolar italiano) que, tal como outros 37 títulos, saíram dos índices MSCI no final do dia de ontem".

"Como é típico nestes eventos, foi transacionado um volume anormalmente elevado de ações: cerca de 2.000 milhões de ações na sessão de anteontem e quase 800 milhões de ações na sessão de ontem, quando o volume diário ronda os 300 milhões numa sessão normal.

Em ambos os casos, o grande volume de transações foi feito perto do fecho do mercado.

"Importa sublinhar que se mantêm plenamente as perspetivas de evolução do negócio comercial e dos resultados, na sequência dos lucros de 47 milhões apresentados nos primeiros 3 meses de 2016", disse o porta-voz do Millennium bcp.

O plano estratégico do Millennium bcp passa por manter a tendência de resultados positivos nos próximos trimestres, com redução de custos e descida do malparado.

O banco mantém o objetivo de reembolsar antecipadamente uma parte do que resta dos últimos 750 milhões de euros de ajuda de Estado que pediu em 2012, ano em que se recapitalizou com 3.000 ME através de 'contingent convertible bonds' (Coco's).

O 'deadline' para o pagamento dos Coco's é Julho de 2017.