O BCP lucrou 46,7 milhões de euros no primeiro trimestre de 2016. Os lucros do BCP recuaram, assim, 33,7% para 46,7 milhões de euros entre janeiro e março, face ao primeiro trimestre de 2015. Nos primeiros três meses de 2015 o banco tinha registado lucros de 70,4 milhões de euros.

Apesar do resultado líquido do banco ter baixado no primeiro trimestre baixou, o presidente do BCP, Nuno Amado, destacou a "evolução positiva" da rentabilidade em termos recorrentes no primeiro trimestre do ano.

"Em termos recorrentes, a variação é muito positiva. Este ano não houve qualquer resultado extraordinário relacionado com dívida pública", realçou o gestor em conferência de imprensa.

E acrescentou: "Em termos de rentabilidade e eficiência temos um claro reforço dos lucros do banco, sem extraordinários, apesar do enquadramento externo (económico e bancário) difícil".

No primeiro trimestre do ano passado, os resultados do BCP incorporavam mais-valias líquidas de impostos de 115,8 milhões de euros.

O banco de Nuno Amado anunciou que via pedir para devolver ao Estado ainda este mês entre 200 e 250 milhões de euros. 

Em 2012, o BCP recebeu do Estado um empréstimo de 3.000 milhões de euros para se recapitalizar. O banco ainda tem de devolver 750 milhões, pelos quais paga juros anualmente.

O facto de ter um empréstimo estatal cria obstáculos ao BCP em algumas operações, como por exemplo uma eventual participação no concurso de alienação do Novo Banco.

Sem problema com origem do capital de novos acionistas

O presidente do BCP disse esta segunda-feira que a exclusão do direito de preferência em aumentos de capital não "tem em vista uma situação concreta" de entrada de novos acionistas, afirmando que é bem-vindo capital de qualquer origem desde que cumpra regras.

"A administração do BCP não tem problema com a origem [do capital], desde que feita ‘by the book'", ou seja, cumprindo as regras, disse o presidente do BCP, Nuno Amado, em conferência de imprensa.

O presidente do BCP falou ainda sobre a aprovação na última assembleia-geral de aumento de capital sem direito de preferência para os acionistas atuais, o que foi visto como uma porta aberta à entrada de novas acionistas, garantindo que esta mudança de regras "não tem em vista nenhuma situação concreta".

"Tem em vista deixar o BCP em condições iguais aos bancos europeus. Foi apenas para esse fim", afirmou, explicando que em Portugal é obrigatória essa autorização passar pela assembleia-geral ao contrário de outros países europeus.

Já sobre a proposta também aprovada em assembleia-geral em que 75 ações do banco são reagrupadas numa só, que precisa de alterações à lei para avançar, Nuno Amado afirmou que não sabe em que fase está esse processo.

As ações do BCP fecharam esta segunda-feira a avançar 1,29% para os 0,0392 euros.

Caso a proposta aprovada venha a avançar, cada ação do BCP passará a valer cerca de três euros, tendo em conta o valor de hoje.

 BCP não pediu "banco mau"

O presidente do BCP disse também esta segunda-feira que considera que "não faz sentido" a criação neste momento de um veículo para resolver o problema do crédito malparado, o vulgo "banco mau", mas não afastou a participação num mecanismo desse tipo.

"O ‘banco mau' não é ideia do BCP, não pedimos, não achamos que faça sentido utilizar", disse Nuno Amado, em conferência de imprensa, quando questionado pelos jornalistas sobre esse tema.

Ainda assim, afirmou o responsável, caso o veículo avance o banco irá "analisar e tomar as decisões em conformidade".

Nuno Amado considerou que o importante era ser reduzido o tempo que em Portugal demoram os processos de recuperação de empresas, considerando que isso - sim - teria um impacto positivo nos balanços dos bancos.

"O tempo recuperatório é em Portugal muito mais longo que em qualquer país do euro. Era importante mudar para a regeneração da economia e dos balanços dos bancos", afirmou.

Também sobre a questão do chamado "banco mau", o presidente do BPI, Fernando Ulrich, disse em abril que o seu banco tem interesse num mecanismo desse tipo, mas acrescentou que o BPI quererá participar num eventual esquema para retirar ativos "tóxicos" do balanço dos bancos se isso lhe der "benefícios".

Este tema veio para a ordem no dia, depois de em abril o primeiro-ministro, António Costa, ter defendido, em entrevista, que é "útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta" o financiamento da economia.

Os bancos portugueses tinham em fevereiro 17.984 milhões de euros em crédito malparado, mais 275 milhões de euros do que no mês de janeiro, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal.