O presidente do BCP, Nuno Amado, disse esta segunda-feira que a situação que a Portugal Telecom tem vivido nos últimos meses é «absolutamente extraordinária» e defendeu que deve ser alvo de uma «investigação profunda».

«É-me difícil [comentar a situação que viveu a PT nos últimos meses]. A evolução é absolutamente extraordinária. Acho que deveria ser alvo de uma análise muito profunda por parte de muita gente, e vai ter que ser, imagino», afirmou o banqueiro.


Nuno Amado sublinhou que «não é normal que, em 2010, [a PT] tenha vendido 50% da Vivo por 7,5 mil milhões de euros para que depois tenha acontecido o que aconteceu», depois de questionado sobre a matéria durante a apresentação das contas de 2014 do BCP.

Na sua perspetiva, é, em primeiro lugar, importante que «a Oi se valorize o mais possível, porque tem hoje condições, com grande apoio dos ativos da PT, que não tinha anteriormente».

«Se me perguntar qual é o objetivo enquanto presidente da comissão executiva do Millennium BCP, é que a ação da PT, que replica a ação da Oi, se valorize o mais possível e, portanto, que a Oi consiga prosseguir o seu caminho da melhor maneira possível no mercado brasileiro», realçou.


De acordo com Nuno Amado, «esse é o primeiro objetivo, para não haver mais destruição de capital do que a enorme destruição de capital que já houve na PT».

O segundo ponto que é importante para o gestor «é que a PT, empresa operacional em Portugal, continue a ser uma empresa de referência, dinâmica, a trabalhar em Portugal, para os portugueses, o melhor que pode e da forma mais correta possível».

Segundo o presidente do BCP, «agora já não há objetivos conflituantes, há sim objetivos que devem ser de todos».

Nuno Amado voltou a defender que «merecia uma boa investigação toda a situação anterior» da PT, «porque não é, obviamente, algo que seja explicável com facilidade».

Já sobre a revisão do processo de fusão entre a PT e a brasileira Oi, o gestor salientou que não é jurista, mas que recebeu pareceres acerca dessa possibilidade.

«A informação que nós pedimos e tínhamo-la, era de que, a partir de um determinado momento, o processo seria, provavelmente, ótimo para os advogados terem durante anos e anos, um processo jurídico de debate de um tema», revelou.


Nuno Amado acrescentou, contudo, «que a partir do momento em que foi feita a escritura do aumento de capital da Oi por integração dos ativos que eram da PT, a volta para trás seria muito complexa, com anos de batalhas jurídicas que só trariam vantagens, provavelmente, para a componente de apoio jurídico».

Assim, na sua opinião, «o grave foi essa decisão [acontecer] sem os termos da troca estarem, como se pensava, total e definitivamente fechados». «E provou-se mais tarde que aparentemente não era assim, o que foi uma enorme surpresa», vincou.

Pelas razões invocadas, o dirigente do BCP defendeu que «era interessante haver uma investigação profunda do tema, porque teve um grande impacto no ano passado, também na credibilidade em mercados, das empresas portuguesas».

«Nós não somos acionistas da Portugal Telecom (PT). Até à data, nos últimos três anos, que eu me recorde, não tivemos nenhuma participação relevante na PT», destacou.

Ainda assim, os resultados do BCP no ano passado foram afetados pela grande perda de valor da PT.

«O impacto da desvalorização de colaterais [em bolsa nas contas de 2014 do BCP] não é só da PT, é de mais um ou dois colaterais específicos, mas a PT, neste aspeto, correspondeu a quase 100%», informou, precisando que «o valor bruto de toda esta desvalorização foi de 49 milhões de euros» e que foi esse o valor que foi considerado nos resultados de 2014.