O presidente do BPI admitiu esta terça-feira que gostava de conseguir reembolsar os 420 milhões de euros de obrigações convertíveis que estão nas mãos do Estado até ao verão, ilustrando com a discussão em torno da saída da troika de Portugal.

BPI vende metade da dívida portuguesa e italiana que detinha

«Seria bonito devolvê-lo [o apoio estatal] na totalidade ao fim de dois anos certos e ao mesmo tempo que termina o programa de ajustamento português. Pagar os CoCo [instrumentos híbridos de capital] até ao verão é a nossa saída limpa», afirmou Fernando Ulrich.

Isto, numa altura em que muito se tem falado acerca do período pós-troika em Portugal e se o Governo vai optar por uma «saída à irlandesa», também chamada de «saída limpa», ou recorrer a um programa cautelar.

Em junho de 2012, o Estado português subscreveu 1.500 milhões de euros de obrigações convertíveis em capital (CoCo) do Banco BPI, tendo o banco conseguido abater boa parte desse montante até hoje.

Resta uma fatia de 420 milhões de euros e Ulrich revelou que a vontade da comissão executiva que lidera é acelerar o processo de reembolso ao Estado, ainda que frisando que a decisão tem que ser tomada pelo conselho de administração do banco, que se reúne a 23 de abril (no mesmo dia da assembleia geral), e receber a luz verde do Banco de Portugal.

O presidente do Banco BPI falava durante uma conferência de imprensa em Lisboa, durante a qual foi apresentado o resultado de uma operação de venda de 50% da posição detida pelo banco em dívida pública de médio e longo prazo de Portugal e Itália.