O setor português de mobiliário arranca 2013 com três ações promocionais na Alemanha, Espanha e França, mantendo a aposta bem sucedida na internacionalização, mas alertando que as expectativas para este ano são de «sobrevivência».

«Trata-se de um setor que, até há pouco tempo, estava bastante dependente do mercado interno e, por força da conjuntura adversa, viu-se obrigado a orientar os seus recursos para a internacionalização», refere o diretor executivo da Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA) numa nota enviada à agência Lusa.

Contudo, frisa Hugo Vieira, a internacionalização é um «processo penoso e extremamente custoso», já que implica enfrentar «concorrentes de maior dimensão económica e outras vicissitudes (encargos elevados de logística e barreiras aduaneiras, por exemplo) como desafios».

«Desengane-se quem pensar que tudo corre de feição para o setor e que atingimos terra firme, escapando da crise. A inversão ainda não ocorreu e, consequentemente, a quebra de faturação do mercado nacional ainda não foi compensada», sustentou.

Segundo o diretor da APIMA, «apesar dos bons exemplos observados, sobretudo nos últimos quatro anos, as empresas enfrentam enormes dificuldades de tesouraria e as expectativas de parte das empresas que nos acompanham para 2013 é de sobrevivência», sustentou.

De acordo com os dados mais recentes, as exportações do mobiliário e colchoaria cresceram 6% entre janeiro e novembro de 2012, em termos homólogos, para 1.007 milhões de euros e 138 países, no que deverá ter sido um ano recorde.

Prosseguindo a aposta nos mercados externos, a campanha de promoção internacional do setor ¿ designada Interfurniture - inicia o ano de 2013 levando um total de 33 empresas a três eventos dedicados a profissionais do setor, num investimento direto superior a um milhão de euros.

Segundo a APIMA, a campanha de janeiro da Interfurniture arrancou hoje na Alemanha, em Colónia, no certame IMM Cologne, partindo na quarta-feira para Madrid, para a feira Intergift, e terminando, na sexta-feira, no «mais importante evento mundial consagrado à decoração de interiores»: a Maison & Objet, em Paris.

«Trata-se de um feito extraordinário, demonstrativo da determinação do tecido empresarial em ultrapassar este momento difícil que continuamos a enfrentar», considera Hugo Vieira.

Convicto de que a «qualidade e excelência do produto e serviços das empresas nacionais» permitirão ao setor continuar a crescer a nível externo, o responsável associativo espera que o mobiliário nacional «ultrapasse o teste do tempo além-fronteiras e consiga estabilizar».