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Governador explica crise como «um problema de gestão da semanada»

Carlos Costa falava a alunos da Escola Básica e Secundária de Fontes Pereira de Melo, no Porto

Por: tvi24    |   2013-04-23 15:49

O governador do Banco de Portugal (BdP) descreveu esta terça-feira a crise a alunos do 2º ciclo como «um problema de gestão de semanada».

Questionado por um dos alunos sobre «quais as razões para o país estar em crise», Carlos Costa equiparou a atual situação portuguesa à de um aluno que «não mede bem a semanada que tem»: «Imagina que chegas à quarta-feira e ficas sem dinheiro e até sábado andas a pedir emprestado. Ao fim de algum tempo começas a acumular dívidas e há um dia em que chegam à tua beira e dizem: Ou pagas ou não te emprestamos mais», explicou.

«Quando isso acontece - continuou - vais ter junto dos teus pais ou padrinhos e dizes que te correu mal a vida, que tens uma dívida para pagar aos colegas e não tens dinheiro. E o teu pai diz-te: ¿Eu empresto-te, mas agora juizinho daqui para a frente, vais prestar-me contas todos os dias e isso é uma condição para te dar dinheiro para o dia seguinte¿. Isto é um programa de ajustamento financeiro».

Em caso de incumprimento, rematou Carlos Costa, no caso do aluno o «castigo» seria a proibição de «ir ao cinema ou jogar matraquilhos», enquanto que, «no caso de um país, será ficar pendurado com as suas tranches».

Já num registo mais sério, o governador do BdP considerou que o país está «a fazer o caminho das pedras», mas com o objetivo de voltar a «gerir a vida coletiva com muito mais autonomia e, daí para a frente, perceber que a gestão das finanças públicas, da despesa das famílias e do investimento das empresas tem que ser feito sempre com a preocupação de não ser para viver apenas um dia», cita a Lusa.

Outra aluna quis saber se «é possível prever se e quando o país vai sair da crise», ao que Carlos Costa respondeu um veemente «vamos», que, contudo, fez depender de «duas condições»: o comportamento do próprio país e o contexto internacional.

«Vamos sair da crise dependendo do nosso comportamento porque temos que adquirir a credibilidade que permite aceder aos mercados para nos continuarmos a financiar. E isso é uma condição indispensável. Mas um país não é uma entidade isolada que dependa apenas de si próprio, depende, nomeadamente, das exportações, que dependem da procura externa, que depende da situação em que estão os outros países», disse.

Para o governador, Portugal «vai sair da crise executando bem o programa de ajustamento que está a fazer» e, paralelamente, quando os «clientes» do país «começarem a enviar para as empresas nacionais encomendas pedindo para lhes fornecer calçado, vestuário, componentes para automóveis ou moldes».

A este propósito, Carlos Costa destacou que Portugal «tem que ter capacidade para vender mais quase que 50% daquilo que vende hoje ao exterior, porque só isso lhe dá possibilidade de sustentar o nível de bem estar que ambiciona».

«Vamos sair da crise, mas não é automático. É preciso força de vontade, esforço e inteligência da população, que se mede pelo que produz e pela forma como se comporta. Temos que nos comportar de acordo com aquilo que podemos e produzir mais para podermos [fazer] mais. O que nos falta é sentido de organização e de disciplina», concluiu.

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EM BAIXO: Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal (Lusa/EPA)
Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal (Lusa/EPA)

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