O desperdício doméstico de água em Portugal atinge anualmente 750 milhões de euros, situação que «exige medidas urgentes», porque dentro de 15 anos haverá escassez desse recurso, alertou o presidente da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP).

«São números assustadores», disse Silva Afonso, docente da Universidade de Aveiro e presidente da ANQIP, instituição criada há três anos com o objectivo de contribuir para a eficiência hídrica, escreve a Lusa.

Estima-se que se percam anualmente três mil milhões de metros cúbicos de água, metade em meio urbano, em edifícios e redes públicas, acrescentou.

Para Armando Silva Afonso, que há alguns anos atrás foi presidente da Comissão de Coordenação da Região Centro (CCRC), esta situação é mais grave perante a perspectiva de Portugal ter problemas de água a partir de 2025, em especial no Sul, e estarem em causa valores monetários que representam 0,64% do PIB (Produto Interno Bruto).

80% dos gastos com chuveiros e autoclismos

Por cada ano de atraso na aplicação de medidas de eficiência hídrica com a construção de novos edifícios são mais dois milhões de metros cúbicos de água desperdiçada em Portugal, salientou.

Estima-se que os gastos domésticos mais significativos de água, entre 70 e 80%, sejam com chuveiros e autoclismos, e nesse sentido a ANQIP criou um sistema nacional de rotulagem de dispositivos comercializados.

De acordo com aquele responsável, apesar de ser um sistema voluntário já 75% dos autoclismos no mercado estão rotulados, apostando agora a associação na rotulagem de chuveiros e torneiras.

O caudal normal dos chuveiros oscila entre os 12 e os 15 litros de água por minuto, mas o responsável desta associação estima que uma redução para seis litros por minuto, com associação de ar, preserva a sensação de conforto no banho.

Com dispositivos eficientes será possível «com facilidade poupar 30%», naqueles consumos domésticos de água, salienta Silva Afonso.