Durão Barroso voltou a rejeitar a ideia de se candidatar à Presidência da República num futuro próximo. Numa entrevista à TVI, no momento em que abandona a presidência da Comissão Europeia, Durão Barroso diz que, para já, não vai ser candidato a qualquer cargo político em Portugal.

«No futuro previsível, não estou a ver-me em qualquer função política no nosso país», diz.
 
Em resposta a Marcelo Rebelo de Sousa, que disse, no domingo, no Jornal das 8 da TVI, que o presidente demissionário da Comissão Europeia não tinha agora condições para ser candidato a Presidente da República, Durão responde que a decisão estava há muito tomada. «Eu defini, já há muito tempo, por razões também pessoais, que não seria candidato a Presidente da República e não sou candidato a Presidente da República. (…) Não há nenhum problema para um verdadeiro político, que não tenha medo de assumir responsabilidades de perder. Eu quando tomo decisões não as tomo em funções de sondagens. Já perdi muitas vezes, mas depois ganhei. Aquilo que me orienta nas escolhas, não é a possibilidade de ganhar. Isso é oportunismo», disse. .
 
Na mesma entrevista, José Manuel Durão Barroso faz um balanço positivo dos dois mandatos à frente da Comissão e enumera as vantagens para Portugal de ter tido um português no cargo: «Desde logo nos fundos estruturais, na política de coesão… sendo português, defendi uma política de coesão em que Portugal agora tem mais do que normalmente poderia ter em termos de fundos estruturais, para o investimento do país».
 
«Mesmo nos momentos mais cruciais da crise foi a comissão que eu presidi que defendeu sempre junto dos países mais ricos que se devia fazer mais para ajudar os países em mais dificuldades», acrescenta.
 
Durão Barroso considera que os portugueses não têm a noção da situação em que o país esteve e elogia o papel da União Europeia na recuperação. «O país esteve à beira do abismo. Acho que os portugueses não têm bem a ideia da situação gravíssima em que o país estava. Se não fosse a União Europeia, Portugal teria tido problemas muitíssimo maiores», explica.
 
O presidente da Comissão Europeia cessante considera que Portugal está muito melhor e exemplifica a capacidade atual do país para se financiar. Contudo, alerta, «não podemos dar tudo por adquirido. A situação ainda não está completamente consolidada. Nem em Portugal, nem noutros países europeus».