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"Trumpalhadas" de 2017

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A figura internacional do ano

Se a eleição de Donald Trump já tinha sido um enorme terramoto político, os primeiros onze meses como presidente dos Estados Unidos parecem uma sucessão de réplicas desse sismo. O estilo inimitável de Trump, as suas afirmações bombásticas, os seus insultos e as suas mentiras marcaram profundamente este ano de 2017

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Donald Trump foi notícia quase todos os dias durante 2017, muitas vezes com declarações, decisões ou momentos polémicos. 

Nem é preciso recuar vários meses. Em dezembro, reconheceu Jerusalém capital de Israel e incendiou (ainda mais) o conflito, enervando a comunidade internacional. 

A tensão com a Coreia do Norte agudizou-se de tal forma que a palavra "destruição" entrou nos discursos de ambos os lados da barricada e os insultos entre Trump e Kim-Jong Un foram subindo de tom. Com a Síria, tudo complicado. Com a China, interesses e dependências.

Acordos rasgados, por um lado, e promessas falhadas (pelo menos por enquanto), marcam também este ano de "America first" (America Primeiro) com muros que tanto apregoa.

Escândalos, também houve, com a Rússia, o FBI, apoio a um candidato acusado por abusos sexuais, assédio. 

Campeão de fake news. De gafes e atos falhados, também. Até de infantilidades. Muitas destas coisas via Twitter, claro. Uma série de "trumpalhadas", por assim dizer.

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Decisão de Trump "incendeia" Médio Oriente

Decisão de Trump "incendeia" Médio Oriente

Foi esta a declaração incendiária de Donald Trump:

"Considero que é tempo de reconhecer oficialmente Jerusalém como capital de Israel. (...) Depois de mais de duas décadas de renúncias, não estamos mais perto de um acordo de paz duradouro entre Israel e os palestinianos".

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Clima de guerra com o "little rocket man"

Os insultos sucedem-se e, pior do que isso, as ações também. Donald Trump não se cansou de insultar o líder da Coreia do Norte, Kim-Jong Un, que respondeu na mesma moeda e novos lançamentos de mísseis balísticos. 

Aquele que foi lançado no final de novembro terá atingido a maior altitude de sempre, 4 mil quilómetros, e voltou a cair no mar do Japão. O Pentágono acredita que pode ser um míssil intercontinental.

Reuters

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul têm realizado exercícios militares contra o vizinho do Norte. Trump tem dito, sem completar a frase, que "só uma coisa funcionará" com Pyongyang. MAs tendo em conta que já ameaçou "destruir completamente" o país, paira a nuvem negra da guerra no ar. 

O regime norte-coreano avisou no final do ano que irá encarar um eventual bloqueio naval por parte dos EUA e seguidores como um "ato de guerra". E que responderá "impiedosamente de forma auto-defensiva". 

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Trump usa palco da ONU para ameaçar Coreia do Norte

Num discurso duro, o presidente norte-americano afirmou que "se for preciso destruiremos completamente a Coreia do Norte"

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Fúria por telefone, pelo Twitter, cara a cara

Primeiro foi com a Austrália, um alvo totalmente inesperado da fúria de Trump. Em fevereiro, desligou o telefone na cara ao primeiro-ministro australiano. A conversa azedou a propósito de um acordo estabelecido entre a Austrália e Barack Obama que permite o envio de refugiados para os EUA. Trump disse que se tratava de um acordo "estúpido" e não se comprometeu a honrar o compromisso.

Depois, em março, quando recebeu a chanceler alemã Angela Merkel na Casa Branca, no final de uma reunião incómoda recusou-lhe um aperto de mão. Esse encontro seria determinante para o futuro da aliança transatlântica e para moldar a relação de trabalho entre dois dos líderes mais poderosos do planeta.

Teve troco dois meses depois, com o Presidente francês Emmanuel Macron a sair em defesa da chanceler, com um gesto simbólico, na cimeira da NATO, ao desviar-se propositadamente de Trump para ir cumprimentar... Merkel.

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Donald Trump publica vídeos de propaganda anti-islâmica no Twitter

A última incursão de Trump nas redes sociais está a provocar um inédito desconforto com o Reino Unido, histórico aliado dos estados unidos. Trump partilhou três vídeos anti-islâmicos no twitter. Tirou-os da conta de um grupo de extrema direita britânico. A primeira-ministra do Reino Unido condenou, mas a Casa Branca defende o presidente afirmando que a ameaça islâmica é real
 

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FBI e Rússia

Foi um dos escândalos do ano. Donald Trump despediu o diretor do FBI, em maio. O ex-diretor do FBI, James Comy, disse ao Congresso norte-americano que acredita que a sua demissão teve como objetivo minar a investigação que liderava. Não tem dúvidas de que a Rússia interferiu mesmo nas eleições que deram a vitória ao magnata republicano.

É Robert Mueller, diretor do FBI entre 2001 e 2013 com a confiança dos presidentes George W. Bush e Barack Obama, que lidera, desde 17 de maio, a investigação à alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016.

Donald Trump admitiu que passou a ser investigado por ter despedido Comey-

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A falsa acusação de Trump ao ex-diretor do FBI

Donald Trump acusa o ex-diretor do FBI de ter dado informação confidencial aos jornais. Mas rapidamente se soube que a acusação do presidente americano ao homem que ele demitiu está errada

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Os EUA são o maior poluidor per capita do mundo, mas isso parece pouco importar o presidente norte-americano. No Acordo de Paris, em vigor desde novembro de 2016, a comunidade internacional fixou o objetivo de limitar a subida da temperatura aos 2.ºC relativamente à época pré-industrial.

Mas Donald Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, exigindo uma negociação, de forma a tornar as condições mais favoráveis aos EUA, algo que os países europeus não querem aceitar. E, à conta desta decisão, deste único país, a temperatura pode vir a subir 3,2º.

A comunidade internacional não gostou nada, sobretudo o presidente francês, Emmanuel Macron, que fez um trocadilho com uma das frases mais queridas de Trump (Make America Great Again), para Make the planet great again.

Também saiu do Tratado TransPacífico. Antes mesmo de nascer, Donald Trump pôs-lhe fim, ao revogar a participação norte-americana no Tratado TransPacífico, conhecido pelo acrónimo TPP. Outra promessa eleitoral.

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Trump criticado nas redes sociais por sair do Acordo de Paris

E tudo Trump levou

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As gafes de Trump em 2017

As gafes

Protagonista de muitos momentos caricatos, o presidente dos EUA não deixou de nos surpreender...

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Promessas eleitorais falhadas (até agora)

Trump só queria ir de férias, em julho, com o fim do Obamacare. Mas não conseguiu ver esse desejo concretizado. O Senado chumbou a medida, com um voto surpresa.

 

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Obamacare: ainda não foi desta que Trump conseguiu

O senado norte-americano chumbou a proposta de Donald Trump para acabar com o plano de saúde definido pela anterior administração norte-americana de Barack Obama. A votação que foi marcada pela oposição do senador John Mccain, recentemente diagnosticado com cancro cerebral e representa uma derrota significativa para o presidente e para o partido republicano

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Medida bandeira da campanha eleitoral, Trump queria um muro bonito, difícil de trepar e cortar na fronteira com o México. E era uma medida para pôr em prática "imediatamente". Nem vê-lo.

No final de outubro, nove meses depois de ter chegado à Casa Branca, o muro de Donald Trump começou a ganhar forma apenas com a construção de oito protótipos. Se vier mesmo a ser construído, terá mais de 30 mil quilómetros de extensão.

O que foi mesmo avante foi as restrições à entrada nos EUA de viajantes de oito países, que vão desde uma proibição total até condicionantes mais direcionadas. As novas regras vão ter impacto nos cidadãos do Chade, Irão, Líbia, Coreia do Norte, Somália, Síria, Venezuela e o Iémen.

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30 FOTOS

Viver na sombra da fronteira

O muro de ferro norte-americano tem inspirado várias estruturas, desde mansões até uma humilde casa na árvore com vista para lá da fronteira. Donald Trump prometeu construir um muro para travar os imigrantes ilegais, mas, em Tijuana, garantem que as “paredes não vão parar [a imigração]”. As muitas casas à volta do muro oferecem vista panorâmica para o sonho americano e até há jardins na fronteira. Um cenário que até agora todos se habituaram a viver. Até agora.

Por Vanessa Cruz