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Terrorismo sobre rodas

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Há pouco mais de um ano, em julho de 2016, o atentado em Nice abriu um novo capítulo no terrorismo. O modus operandi mudou desde aí: em vez de se fazerem explodir, os terroristas passaram a atropelar pessoas, com carrinhas e camiões. 

Aconteceu naquela cidade francesa, primeiro, e depois em Berlim (Alemanha), Londres (Reino Unido), Estocolmo (Suécia), outra vez em Londres, duas vezes, e agora em Barcelona (Espanha). 

Morreram 129 pessoas e 383 ficaram feridas nestes sete atentados, com o mesmo padrão. O alarmismo e um sentimento de insegurança assolam os europeus.

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Cronologia e mapa dos atentados realizados por atropelamento

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Locais escolhidos a dedo

Paris já tinha sido alvo de outros atentados antes (Charlie Hebdo; Estádio de França, Bataclan e restaurantes; Champs-Elysée, este direcionado a forças policiais), pelo que a segurança tem sido sucessivamente reforçada desde 2015. Daí que Nice tenha sido um alvo preferencial, uma vez que decorriam as celebrações da Bastilha, a propósito do Dia Nacional de França.

Berlim e Londres são capitais de países que também ocupam o pódio económico e político europeu.

Estocolmo é igualmente uma capital e Barcelona a segunda cidade mais importante de Espanha e capital da Catalunha.

Também Bruxelas (Bélgica) e Manchester (Reino Unido) já foram alvo de atentados, mas esses perpetrados com recurso a explosivos.

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Nice, Londres e Barcelona

Datas que atingem modo de vida

Nice - em pleno julho, durante as celebrações da Bastilha, o Dia Nacional de França

Berlim - em dezembro, na época do Natal, num mercado natalício da cidade

Londres - a 22 de março, em ícones da cidade, a ponte de Westminster e o Parlamento, e precisamente um ano depois do atentado no aeroporto e metro de Bruxelas

Barcelona - em pleno agosto, num ponto turístico por excelência durante todo ano e ainda mais no pico do verão, as Ramblas

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Quando as viaturas servem de arma

Modus operandi: quando as viaturas servem de arma

O terrorismo simplificou-se nos métodos que utiliza, com consequências igualmente ou até mais catastróficas. Nos últimos atentados, não têm sido utilizados explosivos nem os terroristas se fazem explodir.

Alugam veículos - carrinhas brancas ou camiões - ou, em vez disso, roubam, como aconteceu agora em Barcelona. A célula de terroristas que protagonizou este ataque tentou preparar explosivos que não chegou a utilizar.

Com as viaturas, apanham tudo e todos os que veem à frente, em locais escolhidos a dedo, como pudemos ver, e com consequências fatais.

Este modus operandi é muito mais difícil de controlar e prevenir pelas autoridades, uma vez que todos os dias se alugam veículos em todas as cidades e, normalmente, esse é um ato que não gera desconfiança.

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Este ataque foi realizado com meios ainda mais simples e foi ainda mais difícil prever e muito menos prevenir".

O relatório que a Europol publicou este ano sobre o modus operandi dos terroristas sublinha que a "escala e o impacto do ator isolado a protagonizar ataques está a aumentar".

Nice abriu esse capítulo e "mostrou o potencial devastador de um único atacante". 

O uso de viaturas para aleatoriamente matar e ferir tantas pessoas quanto possível é um método cada vez mais utilizado no último ano.

 

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"Uma célula organizada e uma simples carrinha"

António Nunes, presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, destaca a "modalidade diferente" do atentado em Barcelona

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Ligações extremistas: sim, mas nem sempre

Apesar de o Estado Islâmico ter reivindicado quase todos os ataques, isso não quer dizer que seja mesmo o cérebro dos mesmos. 

Alguns terroristas têm ligações extremistas, sendo simpatizantes ou mesmo militantes; outros atuaram de forma mais isolada. No caso de Nice, por exemplo, não há prova de que tenha sido planeado, com apoio logístico, ou diretamente executado pelo também chamado Daesh. Já se percebeu que faz parte da estratégia de medo do grupo extremista dar a impressão de poder e ameaça, ao dizer que foi quem esteve por detrás de tudo.

No ataque de março, em Londres, nova reivindicação e notícias de que o autor do ataque se tinha radicalizado, mas a polícia disse que isso não passava de especulação.

No caso deste último ataque em Barcelona, os terroristas eram tidos por pessoas "normais" e terá sido o imã de Ripoll que os terá radicalizado.

Um destes ataques, o segundo de Londres, foi diferente em termos de motivações religiosas. É o reverso da medalha e da generalização: a islamofobia. Os alvos, dessa vez, foram pessoas que saíam de uma mesquita. 

Também em Barcelona, no dia a seguir ao atentado houve uma manifestação de extrema-direita contra os muçulmanos, mas também uma contramanifestação.

A Europol constatou que as contas pró-Estado Islâmico, nas redes sociais, celebraram o ataque em Nice e deram como certo que o Estado Islâmico estivesse por trás, o que não se confirmou.

Mensagens relacionadas - muitas das quais foram feitas de forma coordenada - expressaram a crença de que o ISIS era responsável pelo ataque, antes do ataque ter sido reivindicado por qualquer grupo".

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48 FOTOS

Sete atentados com viaturas na Europa

Nice abriu um novo capítulo no terrorismo. Em pouco mais de um ano, sete atentados tiveram como alvo os europeus e o seu estilo de vida, em locais escolhidos a dedo. Todos estes atos de ódio foram perpetrados com recurso a veículos que atropelaram pessoas.
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Radicalização rápida

Com métodos cada vez mais simples de terrorismo, muitos não chegam sequer a ir para a Síria ou para o Iraque para se tornarem militantes. A radicalização é feita através da Internet ou através de células locais. Há cada vez mais uma combinação de terroristas em termos de nacionalidades.

"Os ataques cuidadosamente planeados também demonstraram a crescente ameaça à UE de uma minoria extremista, a operar no Médio Oriente, combinada com uma rede de pessoas nascidas e criadas na UE, muitas vezes radicalizadas num curto espaço de tempo (...) e capazes de atuar como facilitadores e cúmplices ativos no terrorismo", nota o relatório da Europol, que versa ainda, apenas, sobre os atentados até Nice, inclusive. 

Muitos Estados-Membros da UE consideram que os ataques perpetrados por islâmicos radicais que são atores solitários ou pequenos grupos são um risco sério. Na verdade, ISIS continua a encorajar os aspirantes a terroristas a realizar ataques através de atores solitários"

 

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"Este tipo de terrorismo é mais artesanal e arcaico, mas Daesh promete sofisticar"

Alexandre Guerreiro, especialista em Assuntos Internacional, chama no entanto a atenção para a inovação prometida pelo Daesh em ataques futuros.

Por: Vanessa Cruz