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Soares, o democrata

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Jornalistas Maria José Garrido, Joana Reis, Catarina Pereira e Andreia Miranda | Repórter de Imagem Ricardo Ferreira | Edição de Imagem João Pedro Ferreira e Pedro Guedes

Mário Soares morreu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.

Nascido a 7 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

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Perfil de Soares, o homem da Liberdade

Mário Soares foi uma grande figura do século XX português, determinante para a democratização do país. (Maria José Garrido)

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Mário Soares, a história do pai da democracia

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Morreu Mário Soares

Toda a gente sabe que eu sou um português visceral. Mas sou europeu!

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As fotos inéditas tiradas nas vigilâncias da PIDE a Soares

Durante os anos da ditadura em Portugal, Mário Soares foi meticulosamente vigiado pela PIDE. A documentação da polícia política sobre o antigo Presidente da República está na Torre do Tombo e é possível ali encontrar desde relatórios de vigilância a escutas telefónicas, passando por interrogatórios e até documentos pessoais. A TVI entrou na Torre do Tombo para descobrir o trabalho da polícia política e encontrou documentos inéditos.

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A história da adesão de Portugal à CEE que Soares liderou

Mário Soares liderou todo o processo de adesão de Portugal à União Europeia. Soares fica na história como um símbolo da europeização.

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17.435 - número que a PIDE deu a Mário Soares

Mário Soares teve um papel muito importante na luta antifascista. Foi preso, deportado e exilado na luta contra a ditadura

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Mário Soares

Olhe, a vida foi-me correndo bem, não me queixo de nada.

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Mário Soares, uma vida de exílio vigiada pela PIDE

A história de Mário Soares não ficaria completamente contada se não fosse recordada a sua detenção a 13 de dezembro de 1967 – depois de já ter sido várias vezes detido pelas suas atividades contra o regime - e consequente deportação, a 19 de março de 1968.

A documentação da polícia política sobre Mário Soares – que se encontra na torre do Tombo e na Fundação Mário Soares - mostra desde relatórios de vigilância a escutas telefónicas, passando por interrogatórios e até documentos pessoais.

Acusado de ter divulgado o caso "Ballet Rose", um caso de pedofilia que envolvia membros do regime, a um jornalista inglês, Mário Soares foi detido em Caxias, onde permanece completamente isolado durante três meses.

Em aparente liberdade, Soares tentou viajar para a Madeira, mas a PIDE impediu-o de viajar. Seguiu então viagem para o Algarve.

Mas, a 19 de março de 1968, Mário Soares é deportado para S. Tomé, sem julgamento e por tempo indeterminado, por decisão do Conselho de Ministros. Durante os oito meses de exílio, Mário Soares viveu, mais uma vez, vigiado permanentemente pela polícia política do Estado Novo. 

Só em 1970 é que Mário Soares abandona a ilha, exilando-se então em Paris, onde fica até 1974 e onde dá aulas em universidades e tem também uma avença como advogado do banqueiro Manuel Bulhosa.

No entanto, a 31 de julho de 1970, o pai de Mário Soares morre e este, apesar de ter um mandado de captura, faz questão de vir a Portugal para o funeral, contrariando o conselho de todos. 

O regime deixa-o regressar, mas nem no funeral do pai, a PIDE deixa de vigiar Soares. No dia seguinte ao enterro do pai, Mário Soares foi convocado pela PIDE para um café no Saldanha, em Lisboa, com um inspetor, convite que recusou, tendo então sido convocado para ir à sede da polícia política onde lhe foi dito que teria de deixar o país imediatamente.

Depois de se reunir com vários amigos, o socialista decidiu exilar-se e informou a PIDE de que iria partir, de carro, pela fronteira do Caia, e regressar a França. O retorno a Portugal só aconteceria a 28 de abril de 1974, após o 25 de Abril, no “Comboio da Liberdade”.

Com a revolução, termina a vida vigiada de Mário Soares e inicia-se um novo capítulo na vida do antigo Presidente da República portuguesa.

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Morreu Mário Soares

Um político assume-se!

 

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O Soares do PREC e um debate muito quente com Cunhal

Mário Soares e um dos protagonistas do período mais agitado da vida política portuguesa

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Mário Soares

Um velho português, que se vê como republicano, socialista e laico.

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1986 ou o ano em que nasceu o slogan "Soares é fixe"

Em 1986, Mário Soares disputou a mais histórica eleição da democracia. As eleições presidenciais foram as únicas a ter uma segunda volta. Mário Soares partiu derrotado e acabou vencedor, ficando para a história como o primeiro presidente civil da democracia

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Grande reportagem: "Soares é Fixe"

«Soares é fixe» conta a história da vida de Mário Soares. Uma reportagem de Maria José Garrido emitida pela primeira vez em 2011.Mário Soares faleceu a 7 de janeiro de 2017, aos 92 anos.

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Morreu Mário Soares

E se não nos batermos por causas justas, então naufragamos. O que nos sucedeu naquele tabuleiro descendente que levou à 2ª Guerra Mundial, foi que as democracias abdicaram dos seus próprios valores"

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Mário Soares foi um Presidente que pôs o país a rir

Mário Soares pôs o país a rir mas também se ria de si próprio. Descontraído e sem complexos cometeu gafes e assumiu falhas

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Soares no meio do povo

Político popular, Mário Soares sempre se sentiu bem entre o povo... Afável e descontraído, conseguiu sempre lidar com todas as situações... Sem complexos, com à vontade, no meio do povo, era um homem do povo... Apreciando a vida como qualquer um reagindo de forma imprevista, como qualquer um.

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"Sempre livre, como um pássaro"

Mais do que um artigo de opinião, o texto que o primeiro-ministro, António Costa, assina este domingo no Diário de Notícias, é um elogio a um homem que diz: “nunca existiu pelo poder, mas pela liberdade”

A liberdade que sentiu quando caiu um dos seus governos e foi questionado sobre o que sentia. “Livre como um passarinho", respondeu. E é esta frase que António Costa escolheu para dar título ao seu texto. Mário Soares morreu sábado no Hospital da Cruz Vermelha, aos 92 anos, e em palavras emocionadas Costa questiona: “Não há ninguém insubstituível? Sei que ninguém substitui Mário Soares no lugar que é seu na história do Portugal democrático”.

“Nunca existiu pelo poder, mas pela Liberdade. Foi assim que começou no combate à ditadura quando a hipótese de aceder ao poder era mais ténue do que uma miragem e que continuou toda a sua intensa atividade política nos últimos 20 anos, após o termo dos seus mandatos presidenciais”, relembra o agora líder do Partido Socialista, recordando o pai do partido que dirige

Para António Costa, Mário Soares, foi “um grande navegador” que “não esperou pelo vento e bolinou para encontrar o vento necessário para seguir o seu rumo, sem nunca errar quanto aos pontos cardeais nem tergiversar quanto ao ponto de destino”.

Por isso mesmo, não tem dúvidas: “Ninguém contribuiu tanto como Mário Soares para a construção do Portugal pós-25 de Abril. Muitas vezes não foi compreendido - algumas vezes não o acompanhei - mas há que reconhecer que, no essencial, era ele quem tinha razão”

António Costa recorda ainda um episódio, do homem a quem história deu um lugar próprio: 

“A idade chega a todos e a Mário Soares também. Quando o visitei após doença grave há cerca de três anos, disse-me com indisfarçada surpresa: ‘Sabe, eu podia ter morrido’. Percebi que tal hipótese nunca lhe tinha ocorrido e que a revelação da sua mortalidade lhe ia tirar anos de vida. Nenhum de nós então sabia que o posterior falecimento da Maria de Jesus viria ainda a tirar-lhe outros tantos”.

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Os últimos combates políticos de Mário Soares

Mesmo depois de ter ocupado os mais altos cargos à frente do país, Mário Soares manteve intervenção cívica e política. Apesar da idade avançada, continuou a lançar livros, a promover conferências e a dar que falar pelas intervenções críticas relativamente a diferentes Governos e pela oposição firme à troika.

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Sabia que Mário Soares chamou o FMI a Portugal duas vezes?

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Os anos da presidência de Mário Soares

Soares chegou ao mais alto cargo da Nação nos anos 80. Foi Presidente da República durante dez anos e marcou o cargo com uma maneira muito própria de estar na presidência.

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A primeira entrevista de Soares depois de a TVI nascer

Em 1993, era Presidente, explicou muito do que foi a sua atuação como mais alto magistrado da nação.  
 

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Mário Soares: as presidências pelo país real

Mário Soares chegou ao mais alto cargo da nação nos anos 80. Foi presidente da república durante dez anos e marcou o cargo com uma maneira muito própria de estar na presidência.

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O papel de Soares na história

Politólogos e historiadores são unânimes quanto ao principal legado que Mário Soares deixa ao país: um papel decisivo na consolidação da democracia portuguesa.

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Fundação Soares: as polémicas e o trabalho feito

Mário Soares criou a sua Fundação depois de deixar a presidência. A TVI mostra o que faz a Fundação Mário Soares 

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Mário Soares: entrevista de vida a Constança Cunha e Sá

Entrevista à TVI, em 2011, a propósito do lançamento do livro "Um Político Assume-se"

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A história da família Soares

O pai de Mário Soares foi uma figura central na sua vida. O ex-Presidente português herdou do pai a intervenção política e cívica.

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As inúmeras facetas de Mário Soares

Mário Soares foi sempre uma personalidade controversa. Amado por uns, odiado por outros, nunca deixou ninguém indiferente

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As reações à morte de Mário Soares

Várias figuras de renome nacional e internacional reagiram com profundo pesar à morte de Mário Soares. Desde logo o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que enalteceu o "legado" que ele deixa ao país e aos portugueses: a liberdade. 

O primeiro-ministro também lamentou a "perda insubstituível", recordando-o como "o rosto e voz da nossa liberdade". Numa visita oficial de seis dias à Índia, António Costa não marcará presença no funeral de Soares. 

O Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, falou de Mário Soares como um "herói", dizendo que Soares é fixe é uma expressão que se vai apropriar durante muitos anos.

Os antigos chefes de Estado também se mostraram consternados com esta perda. Cavaco Silva disse que Portugal "deve muito" àquele que foi um "verdadeiro animal político". Para Jorge Sampaio, este é "um momento de profundo pesar", tendo destacado a "profunda convicção e capacidade de resistência e luta pela liberdade". 

António Guterres, socialista e antigo-primeiro-ministro, foi na qualidade de secretário-geral das Nações Unidas que manifestou o seu "agudo sentimento de perda". Soares era um dos "raros líderes políticos de verdadeira estatura europeia e mundial". 

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Mário Soares

Perguntam-me se penso muito na morte. Não é coisa que me preocupe!

Jornalistas Maria José Garrido, Joana Reis, Catarina Pereira e Andreia Miranda | Repórter de Imagem Ricardo Ferreira | Edição de Imagem João Pedro Ferreira e Pedro Guedes