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Seis meses depois do inferno

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Incêndio em Vila Nova de Poiares

49 mortos | 70 feridos | 1483 casas queimadas | 516 empresas destruídas | 220 mil hectares queimados

Houve bombeiros a combater chamas em aldeias vazias e corporações de reforço paradas em quartéis, ladeados pelo lume, sem ordem para avançar. Houve Postos de Comando sem saber sequer a quem reportar ou o que estava a arder.

Houve caos.

Ao final da manhã de 15 de outubro e durante as 13 horas seguintes desceu sobre o centro do país uma tempestade de fogo que fez 49 mortos: um número, o primeiro de muitos, que tenta lembrar, a todos nós que não passámos por lá, o horror vivido numa parte do país há muito abandonada.

Os incêndios que começaram naquele domingo fustigaram 36 municípios e surpreenderam o Portugal quatro meses depois de Pedrógão Grande.

O repetir do impensável acabou por ter consequências imediatas no plano político, com a demissão da ministra da Administração Interna, mas até agora, as culpas do maior incêndio que o mundo viu em 2017 ainda estão oficialmente solteiras: não há ainda arguidos na investigação criminal e não há ainda também conclusões da auditoria pedida pelo ministro da Administração Interna, dias depois da tragédia.

Mas isso não quer dizer que não haja a quem apontar o dedo.

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O Pinhal de Leiria estava armadilhado para arder

O Pinhal de Leiria estava armadilhado para arder

TVI recolheu provas de que o incêndio que devastou o Pinhal de Leiria teve mão criminosa e que terá sido planeado um mês antes da tragédia.

Vários madeireiros, entre donos de grandes empresas e donos de fábricas que compram e vendem madeira, estiveram reunidos numa cave para planearem o incêndio.

As reuniões secretas serviram também para acordar os preços da madeira.

TVI sabe também que usaram como engenho incendiário vasos de resina com caruma lá dentro.

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Desde cedo que o Governo atribuiu parte das responsabilidades dos fogos à "mão criminosa"Os incêndios de outubro foram analisados por uma Comissão Técnica Independente, cujos resultados foram conhecidos em março, num relatório público. É no extenso documento de 300 páginas, produzido por especialistas de várias áreas que ficamos a saber que 40% destes fogos tiveram mão criminosa. Um número acima da média nacional e que até agora está sem explicação.

"Em termos de grandes grupos de causas temos que 40% tiveram origem em reacendimentos, 40% em causas intencionais e 20% em negligentes. (…) As causas intencionais são as que apresentam maior dificuldade na compreensão"

Os possíveis responsáveis pela tragédia são agora o alvo de muitos que sobreviveram. À TVI, o Ministério Público confirmou que dos processos em investigação devido às vítimas mortais não há ainda arguidos.

O relatório da Comissão Técnica aponta, à partida, um possível responsável por um dos grandes incêndios de outubro. A EDP é acusada de ter sido negligente com a limpeza da áerea envolvente das linhas elétricas e de ter provocado o fogo que começou na Lousã e se espalhou a nove concelhos. A empresa nega as acusações e só a justiça pode vir a tirar as dúvidas. 

Saber e entender o que aconteceu naquelas horas será o que muitos que passaram pelas chamas procuram ainda. As imagens captadas no momento por quem teve de atravessar o centro do país naquele dia mostram o pânico vivido. 

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As imagens

Vários automobilistas filmaram estradas cercadas pelas chamas no norte e centro do país

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88 FOTOS

"O fogo adamastor"

As proporções dos incêndios de outubro foram sendo conhecidas ao longo dos últimos meses. Mas foi nas horas seguintes aos deflagrar dos primeiros fogos que as agências de notícias e as redes sociais mostravam o que nunca antes tinha sido visto em Portugal: colunas de fogo gigantes, estradas completamente ladeadas por chamas, portagens a arder e bolas de fogo que saltaram barragens. 

As comunicações dos bombeiros nas horas fatídicas, reveladas pela TVI, davam contam não só da falta de meios, mas também de como em anos e anos de combate nunca nada de igual se tinha visto. O olho de quem cheira o fogo não se enganou. De facto, Portugal nunca tinha visto nada assim.

A análise feita à tragédia daqueles dias revela como estes foram os maiores incêndios de sempre em Portugal, com  "uma dimensão muitíssimo superior” no património edificado e natural aos fogos de Pedrógão Grande. Se nos incêndios de junho arderam 53 mil hectares, em outubro, esse número subiu para mais de 220 mil hectares. 

O relatório pedido pelo parlamento não hesita em dizer que a passagem do Furação Ophelia levou a que fossem criados vários fenómenos meteorológicos que potenciaram todos os outros factores e levaram à devastação. 

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Mapa das vítimas

A tragédia

Os incêndios fizeram 49 mortos. Um  número que só por si seria suficiente para ser um acontecimento inédito em Portugal. Mas as mortes de outubro carregam o peso de mais  66 vidas perdidas em Pedrógão Grande, transformando o verão de 2017 como o mais trágico na memória recente do país. 

O relatório da Comissão Independente afirma claramente que as populações foram deixadas à sua sorte, num "dramático abandono" do qual resultaram não só as quase cinquenta vítimas, mas também mais de 1400 casas total ou parcialmente queimadas. Muitos foram os que foram obrigados a fugir deixando tudo para trás e muitos foram os que regressaram a um monte de cinzas. 

Houve quem morresse a tentar salvar as poupanças e o trabalho de uma vida e houve quem morresse em pânico a fugir das chamas na auto-estrada

Foram dez horas fatais. Todas as mortes que ocorreram nos incêndios de outubro aconteceram neste espaço de tempo. Mais de metade das vítimas do incêndio, 27, morreu quando fugia das chamas. Uns iam de carro, mas houve também quem tentasse fugir de trator, mota ou até de bicicleta. A maioria, 65%, estava sozinha quando morreu. Os que não estavam sozinhos morreram dentro de casa ou do carro ou na rua a tentar salvar o que tinham.

Houve quem tivesse caminhado durante 12 minutos até encontrar a morte, mas a maioria morreu três minutos e meio depois de ter decidido abandonar o local onde estava.

As mortes daquele domingo aconteceram de repente, quando a velocidade do vento e um “comportamento errático “ do fogo apanhou pelas costas quem dele se tentava livrar.

As vítimas, na maioria, eram homens que morreram perto de onde viviam quando estavam a dormir, a defender bens ou a fugir do fogo. A maioria das casas de habitação das vítimas mortais acabou por não arder, sendo que as únicas que arderam eram antigas.

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Dois irmãos morreram a defender armazéns das chamas

Dois irmãos morreram a defender armazéns das chamas

A morte dos dois irmãos  numa aldeia de Penacova, ao final da tarde de domigo, 15 de outubro, quando tentavam salvar o negócio, foi conhecida às primeiras horas de segunda-feira e foram as primeiras vítimas mortais a ser identificadas

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Noite de muita aflição no IP3

Os heróis

Eduardo Donas Botto é um dos heróis dos incêndios de outubro. O “bravo” motorista salvou os passageiros, na maioria estudantes, do autocarro que conduzia, no IP3, rumo a Coimbra. Naquele domingo, dezenas de veículos, centenas de pessoas, ficaram encurralados nas bermas do IP3, entre Coimbra e Viseu. Em volta, apenas chamas, um inferno imenso. Havia medo, muito medo. Houve quem gritasse, houve quem rezasse em apelos divinos. Mas Eduardo não foi o único. A TVI revelou ainda a história de seis GNR que evitaram uma nova estrada da morte

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Incêndios - Santa Comba Dão

Não trouxe nada comigo. Agora, não temos nada"

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Marcelo

Depois do choque, Marcelo. Já em Pedrógão o Presidente da República foi o primeiro político a dar a cara, ainda antes da ministra da Administração Interna, depois de ter sido tornado público que o incêndio tinha feito pelo menos 19 vítimas carbonizadas numa estrada. Em outubro, Marcelo esperou o apagar das chamas, mas de imediato foi para junto de uma população envelhecida e só, mostrar que afinal Portugal ainda tinha algum tipo de Estado. Depois de tudo perderem, a presença da mais alta figura do país fez as lágrimas dos últimos dias caírem com mais força. 

A afinidade do país com o presidente do afetos cresceu depois da tragédia, especialmente depois das imagens de Marcelo Rebelo de Sousa a abraçar e confortar cidadãos esquecidos de um país rural se terem tornado virais e até terem sido notícia lá fora. As imagens e a presença do Presidente logo após à tragédia não ficaram imunes às críticas, mas Marcelo desde cedo explicou porque ali estava. 

Vamos ver se é desta que se olha com mais atenção, com mais empenho para estes problemas, porque esta gente não tem o poder de contestação, não tem o poder de fazer greve, não tem o poder de fazer manifestações e isso às vezes faz com que seja muito esquecida"

O Presidente da República, no discurso que acabou por levar à demissão da ministra da Administração Interna, assegurou que este era um drama que não mais iria abandonar durante o seu mandado. Marcelo exigiu medidas ao Governo e desde então, sempre que considera necessário volta a levar os holofotes públicos para os concelhos afetados, como aconteceu no Natal e na Passagem de Ano.

A presença de Marcelo acabou mesmo por causar algum embaraço ao Governo de António Costa, que já estava debaixo de fogo por ter deixado repetir a tragédia de Pedrógão Grande, por não ter "uma palavra humana" para as vítímas dos incêndios. António Costa acabou por visitar os mesmos locais que o Presidente da República e também ele distribuir afetos.

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Marcelo Rebelo de Sousa visita localidades afetadas pelos fogos

Obrigado Senhor Presidente por nos vir ver"

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59 FOTOS

Incêndios de outubro: foi assim que tudo ficou

Seis meses depois dos fogos que devastaram o centro do país, as imagens do dia 15 de outubro trazem a memória do abandono
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Contas ao fogo

Foram quase 500 fogos que começaram naquele domingo 15 de outubro de 2017. O que ardeu, 45% do total em 2017,  elevou a área ardida daquele mês para 220 mil hectares: uma dimensão que muitos campos de futebol não conseguem traduzir.

O total dos prejuízos causado pelos incêndios de outubro ascende a vários milhões. O número exacto está ainda por apurar. O relatório da Comissão Independente dos fogos contabilizou apenas as perdas causadas nas empresas da zona centro: só aí os prejuízos diretos, nomeadamente em instalações, máquinas e stocks chegaram aos 270 milhões de euros. Mas há mais. 

O relatório Anual de 2017 Análise de Clima e Catástrofes, realizado pela Aon, aponta para que as perdas económicas relacionados com os incêndios em Portugal no ano passado cheguem aos mil milhões de euros. Já os agricultores e produtores florestais insatisfeitos com os apoios dados pelo governo falam em perdas que podem chegar aos quatro mil milhões de euros. Os últimos dados do Executivo revelam que o total de apoios aos agricultores lesados chegou aos 92,5 milhões de euros. Já as empresas afetadas pelos incêndios vão beneficiar de um financiamento de 85% do prejuízo.

No total, o governo prevê gastar mais de 688 milhões de euros.

 

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Incêndios - Vouzela

"Andamos uma vida inteira para ter alguma coisa, e agora não temos nada"

1.483 casas. O número saiu da boca do próprio primeiro-ministro que explicou que os apoios para a reconstrução são de 75 milhões: 10 milhões são para Pedrógão Grande, que já viu parte das habitações reconstruídas, outros 10 milhões são para as moradias de segunda habitação. A promessa do Governo é que até ao final de 2018 todas as casas fiquem prontas, mas a realidade de quem foi afetado pelas chamas conta outra história.

Muitas das vítimas acabaram por só se candidatar a receber até cinco mil euros de ajudas, porque acima destes valores era preciso saber vencer a burocracia do Estado. Muitos pediram apoios inferiores ao que realmente precisavam, outros nem sequer tentaram receber ajuda.

“É complicar a vida às pessoas, eles não estão a ajudar nada. É só complicar. É uma trapalhada estrumenta, porque eles estão lá não sabem resolver, ou eles sabem resolver, só que não dão a saber às pessoas como que hão-se resolver os assuntos pessoais desta situação”, diz um dos sobreviventes dos incêndios à TVI.

Em março deste ano, o Governo anunciava que 20% das casas destruídas no Interior estavam já em obra ou reconstruídas.

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Incêndios: Estado vai pagar 31 milhões de euros às vítimas

Milhões pela extrema violência

Em dezembro de 2017, o Governo fixou em 70 mil euros o valor mínimo para quem perdeu a vítima nos incêndios do verão mais trágico de que há memória no país. No total, foram 31 milhões de euros para as vítimas dos incêndios quer de Pedrogão Grande, quer dos fogos de outubro.

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Seis meses depois, outra vez o "dramático abandono"

Seis meses depois dos incêndios de outubro de 2017, as histórias dos agricultores são povoadas de desalento e de críticas a um Governo que sentem que os abandonou, com apoios que são um convite para reduzir atividade, parar ou sair.

"Não temos dinheiro para reconstruir"

Há quem tenha já o projeto de agricultura aprovado, mas que vai receber um quarto ou um terço do prejuízo que registou, outros nem tiveram sequer oportunidade de se candidatarem, não recebendo qualquer resposta do Ministério da Agricultura.

Há quem não tenha recebido nem um cêntimo, há quem ainda espere por ver a casa de primeira habitação reconstruída. 

"Não recebi um cêntimo, um cêntimo de lado nenhum".  

Nas vozes dos agricultores, é raro falar-se em renascimento. Há, acima de tudo, desalento e desconfiança em relação ao futuro. Sentem que os seus projetos de vida estão hipotecados por um Governo que dizem que os abandonou.

"Queria ver tudo reconstruído, mas meio ano e não vejo nadinha"

Seis meses depois do inferno, a TVI foi falar com quem perdeu tudo e a cada dia que passa perde ainda a pouca esperança de ver chegar a ajuda

"Fiquei sem nada. Eles dizem que ajudam, mas… sei lá..."

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Reportagem TVI: seis meses após o pior dia de fogos

"Eu berrava aqui, socorro! Diz a mulher, homem assim vamos morrer aqui todos"

Reportagem é da jornalista Andreia Jorge Luís, com imagem de Nuno Machado Mendes e edição de imagem de Teresa Almeida

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Paulo Rogério, pastor, sobrevivente aos incêndios de outubro

"Foi com o leite que era para fazer o queijo Serra da Estrela que tive de apagar as chamas. Consegui salvar a casa e a queijaria com 300 litros de leite", conta Paulo Rogério de 45 anos, pastor, que perdeu 200 mil euros, mas espera receber um apoio de pouco mais de 40 mil do Estado. "O Estado vê-nos como talvez de terceira, nem portugueses de segunda. É um gozo tremendo o que fizeram. (…) Eu sofri com os incêndios e aqueles em redor de mim sofreram, mas se eu não existo não ardiam cinco casas no começo da cidade, ardiam 50, que eu tinha 60 hectares de terra e tinha-os minimamente limpos. O agricultor e o pastor fazem defesa contra incêndios".

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"Ela conseguiu socorro para mim, eu não consegui para ela”

Uma casa, dois idosos sem telefone

O abandono vivido no interior do país, especialmente depois dos incêndios, ganhou ainda outra dimensão. 

Durante quatro meses. Isolados, durante tanto tempo, depois da tragédia dos incêndios de outubro, na Sertã, já lhes ter levado quase tudo. O vizinho mais próximo está só a dois quilómetros. A mulher idosa, de 80 anos, morreu no dia 16 de fevereiro sem conseguir pedir ajuda, por não ter ainda o telefone que há quatro meses o fogo lhe roubou. Antes dela, também o marido teve uma emergência, um problema cardíaco. Também aí o telefone fizo falhou. Mas ele sobreviveu. Ela não.

"Tentei ir à procura de socorro, onde a minha mulher também já tinha ido tentar socorrer-me a mim quando tive o enfarte, um mês antes, no dia 29 de dezembro. Ela conseguiu para mim, eu não consegui para ela”.

O caso levou o governo a pedir um inquérito à ANACOM que mais tarde conclui que, em março, ainda existiam 4600 clientes sem telecomunicações. No parlamento, o Presidente da Autoridade de Comunicações defendeu mesmo que era incompreensível" que as comunicações "não estivessem totalmente retomadas". 

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Os incêdios de outubro, à semelhança de Pedrógão Grande, revelaram erros de décadas de um país habituado a arder, mas nada preparado para uma tragédia com uma dimensão dantesca. As condições únicas do dia 15 de outubro justificam, segundo os especialistas, parte do que foi vivido, mas, segundo o relatório da Comissão Independente, os fogos deste verão mostraram muitas das lacunas de um Estado que falhou aos seus cidadãos.

Houve falta de meios, sobretudo aéreos, houve descoordenação, houve falta de prevenção, falhas no socorro e nas comunicações e houve sobretudo o sentimento de que as populações ficaram entregues a si próprias.

Depois de ser acusado de nada ter feito no seguimento dos incêndios de junho, o Governo reagiu aos fogos de outubro num Conselho de Ministros extraordinário, onde apresentou um vasto conjunto de medidas para impedir que as tragédias voltassem. Desde então, António Costa e os seus ministros têm enfatizado essas mesmas medidas, chegando mesmo a limpar florestas para dar o exemplo a um país que se quer “limpinho” para o próximo verão. Para lá das polémicas sobre a limpeza de matas e florestas, com a forte contestação que o executivo enfrentou, ficam as promessas de que nada será como antes, com pelo menos algumas medidas:

  • -Fim das fases de incêndio
  • -Alertas para risco de incêndio por telemóvel
  • -Aldeias vão ter um “oficial de segurança” e local de refúgio
  • -10.000 kits de autoproteção a nível nacional
  • -Liga de Bombeiros presente no Posto de Comando
  • -Mais 10% de remuneração para bombeiros
  • -Mais 3.600 quilómetros de faixas anti-fogo
  • -Perto de quatro mil operacionais a mais no terreno
  • -30 peritos para agência de gestão de fogos
  • -SIRESP com mais 451 antenas
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"Empresas especulam à custa da ameaça de risco de incêndio"

Os carteís do fogo

Os dias de calor aproxima-se a passos largos. O Governo tem ainda de garantir que os meios aéreos não vão voltar a faltar na época de incêndios depois de nos últimos concursos o ministério da Administração Interna não ter conseguido assegurar os meios necessários para o verão. António Costa já veio garantir que o Estado não vai ser capturado por carteís.

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Parque de campismo e empresa consumidos pelas chamas em Vieira de Leiria

Seis meses depois de um verão que aos poucos os portugueses tentam esquecer, as medidas apresentadas pelo Governo estão ainda longe de assegurar que um raio não voltará a cair no mesmo lugar. O trauma de aldeias inteiras, e de muitos de nós, não permite ainda ter confiança para os dias abrasadores que se advinham.

O que mudou num país que há muito tentava fazer frente às chamas só o saberemos depois. Por agora, resta-nos contentar com um chavão de outros tempos que pela primeira vez aconteceu: este ano passámos o inverno a falar dos fogos.

Por: Cláudia Lima da Costa