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Os 5 km do arquivo de Pacheco Pereira

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Reportagem Joana Reis | Imagem Pedro Batista, João Paulo Delgado, João Franco e João Pedro Matoso | Edição de Imagem João Pedro Ferreira 

 

Pela primeira vez, uma televisão mostra o arquivo de José Pacheco Pereira, o mais público dos arquivos privados de Portugal. São 5 km de arquivo e de segredos sobre a vida do país e dos seus protagonistas nos últimos 50 anos, guardados na pequena vila ribatejana da Marmeleira.

A reportagem da TVI revela como funciona o projecto, os apelos para que não se deixe escapar um único papel da casa dos portugueses e a rede de voluntários que dão vida ao Ephemera - um trabalho diário, pela memória de todos. Ilustres ou anónimos.

O arquivo de José Pacheco Pereira pretende retratar a vida política contemporânea de Portugal e de vários outros países nos últimos 200 anos. Para além de milhares de livros, revistas e documentos inclui uma colecção única de centenas de objectos essencialmente ligados à propaganda dos partidos políticos e a inúmeras manifestações que decorreram no país e no estrangeiro.

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Arquivo de Pacheco Pereira

“Somos especialistas em divórcios, mudanças de casa e falecimentos, mas também nas segundas-feiras a seguir às eleições, períodos de destruição em massa de documentos.”

Pacheco Pereira

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Arquivo pessoal de Sá Carneiro

Milhares de documentos foram escondidos pelo líder social-democrata na casa da sua secretária, Conceição Monteiro. Aí estiveram durante anos porque Sá Carneiro preferiu mantê-lo à margem do partido.  

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Um arquivo com vida única

Um grupo de 140 voluntários, que trabalha em torno do Ephemera, permite ao arquivo manter um ritmo de actividade muito intenso, superior ao dos arquivos públicos. O arquivo cede fotografias, imagens para livros, publica os seus fundos numa colecção da Tinta da China, participa em exposições com material próprio e tem investigadores (académicos e jornalistas) a trabalhar nos materiais do arquivo. Publica igualmente cerca de 15 mil pastas de material na internet.

Para além das cerca de 12 horas diárias que José Pacheco Pereira dedica ao projecto, um grupo restrito de voluntários oferece o seu tempo e disponibilidade, ajudando-o na triagem e catalogação dos documentos (dando-lhe uma organização cronológica e temática), digitalizando documentos ou cobrindo as manifestações. Nas cidades de Lisboa, Porto e Torres Vedras, um núcleo igualmente reduzido de pessoas dinamiza e divulga as actividades do Ephemera, existindo depois um grupo alargado de anónimos que tem colaborado em qualquer tarefa que se afigure necessária e dezenas de pessoas que, mesmo sem conhecer Pacheco Pereira, enviam encomendas pelo correio ou deslocam-se à Marmeleira, para oferecer papeis ou documentos.

 

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Adelino Gomes, um voluntário especial do arquivo de Pacheco Pereira

Adelino Gomes, um voluntário especial

Depois de ter visto um anúncio num jornal, o jornalista ofereceu-se como voluntário para ajudar em todas as tarefas deste arquivo gigantesco.

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Só Pacheco Pereira ficou com as anotações das reuniões do PSD

Pacheco Pereira foi vice-presidente de Cavaco Silva e líder parlamentar do PSD nos anos 90. No final das reuniões da Comissão Política, recolhia os apontamentos do que ali se discutia.

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“Eu sei o que significa ser Pacheco Pereira e vir na lista oficial da nobreza.”

“A minha família é das mais representadas nos Lusíadas. Há muitos Pachecos nos Lusíadas e há um capítulo inteiro para o Duarte Pacheco Pereira, que foi signatário do Tratado de Tordesilhas, navegador guerreiro e combatente na Índia. O Camões tratou-o pelo Grão Pacheco Aquiles Lusitano (não há melhor do ponto de vista das virtudes).”

 

Pacheco Pereira

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Dos brindes das campanhas às granadas das manifestações

Dos brindes das campanhas às granadas das manifestações

O arquivo inclui uma vasta coleção de objetos, sobretudo os brindes das campanhas eleitorais e outros associados à vida política do país. Até granadas usadas antes e depois do 25 de Abril.

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Pacheco Pereira mostra o seu arquivo de cinco quilómetros

Com paciência, desde há muito tempo, o historiador e analista, procurou, estudou e colecionou segredos, grandes e pequenos, dos protagonistas da vida política de Portugal durante os últimos 50 anos. Pela primeira vez uma equipa de televisão mostra o arquivo de Pacheco Pereira ao mundo

Joana Reis