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O adeus de Cavaco Silva

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O adeus de Cavaco Silva

Dez anos depois, Aníbal Cavaco Silva deixa o Palácio de Belém. Eleito Presidente da República por duas vezes e sempre à primeira volta, a hora da despedida acontece numa altura em que a sua popularidade atinge os mínimos desde que assumiu o mais alto cargo do Estado.

Para a história ficam os braços-de-ferro com o Governo PS de José Sócrates - o mesmo que o Presidente tinha elogiado nos primeiros tempos em Belém -, casos, frases polémicas e até um desmaio em plenas cerimónias do 10 de junho.

Recorde os principais momentos dos mandatos de Cavaco Silva.

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Presidenciais 2011: Cavaco Silva em Vila Real (Tiago Petinga/LUSA)

O primeiro Presidente de centro-direita

Cavaco Silva foi pela primeira vez eleito Presidente da República em janeiro de 2006. Sucedendo a Jorge Sampaio (1996-2006), foi o primeiro Presidente de centro-direito da história da Democracia portuguesa. 

Com 50,59% dos votos, ficou à frente de Manuel Alegre (20,72%), Mário Soares (14,34%), Jerónimo de Sousa (8,59%), Francisco Louçã (5,31%) e Garcia Pereira (0,44%).

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Conselho de Estado [MARIO CRUZ/LUSA]

Cavaco e Sócrates: sol de pouca dura

Os primeiros tempos de Presidência foram de grandes elogios ao Governo de José Sócrates.

Logo na tomada de posse, Cavaco Silva sublinhou o "espírito reformista" do então primeiro-ministro, a quem prometia uma "cooperação leal e frutuosa".

Sócrates agradecia o "comportamento absolutamente impecável da Presidência da República".

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Posse de Cavaco Silva (LUSA)

“Nunca ninguém poderá dizer que não fiz tudo o que estava ao meu alcance para impedir que interesses partidários de ocasião se sobrepusessem aos superiores interesses nacionais.”

Foi um dos primeiros braços-de-ferro com o Executivo de maioria absoluta de José Sócrates. Em causa o diploma sobre o Estatuto dos Açores, que previa uma alteração nos poderes do Presidente da República.

Uma alteração que Cavaco Silva considerava que só podia ser feita através de uma revisão constitucional. O diploma foi vetado, mas a Assembleia da República voltou a aprovar. O Presidente enviou então o documento para o Tribunal Constitucional, que impôs uma mudança no diploma.

 

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Posse de Cavaco Silva (LUSA)

“Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus emails?”

No verão de 2009, o polémico "caso das escutas", que leva a mais um "conflito" entre o Presidente e o Governo de José Sócrates.

Primeiro é o jornal Público a dar conta das suspeitas da Presidência da República de estar a ser "vigiada" pelo Governo. Um mês depois, o Diário de Notícias acrescenta que a fonte da notícia era Fernando Lima, um dos mais antigos colaboradores de Cavaco.

Na resposta, um Presidente agastado acusa "destacadas personalidades do partido do Governo" de manipulação e de o tentarem colar ao PSD.

 

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BPN [Reuters]

“Para serem mais honestos do que eu têm de nascer duas vezes.”

Uma nova polémica envolve Cavaco Silva. Desta vez é o escândalo do BPN que se atravessa no caminho do Presidente e que acaba por afetar a campanha eleitoral para um segundo mandato. 

A imprensa dá conta de que o presidente e a família tinham lucrado milhares de euros com a venda de açoes da Sociedade Lusa de Negócios, holding que detinha o BPN. Cavaco Silva rejeitou as acusações.

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Eleições presidenciais - Cavaco Silva / TIAGO PETINGA/LUSA

Segundo mandato

Eleições presidenciais de 23 de janeiro de 2011. É reeleito, à primeira volta, para um segundo mandato, com 52,9% dos votos. 

Muito à frente de Manuel Alegre (19,76%), Fernando Nobre (14,10%), Francisco Lopes (7,14%), José Manuel Coelho (4,49%) e Defensor Moura (1,57%)

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Posse de Cavaco Silva (LUSA)

Tomada de posse marcada por avisos a Sócrates

A 9 de março de 2011, ocorre a cerimónia de tomada de posse para o segundo mandato, que fica marcada pelos avisos do Presidente a José Sócrates. 

“Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.”

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Comemorações do 10 de Junho [LUSA]

Duas crises e uma falta de lealdade que fica para a História

2011. Pouco tempo depois de Cavaco Silva ter sido reeleito Presidente da República, o país assiste a uma série de acontecimentos que acabou por resultar numa crise política. Isto numa altura em que as contas públicas enfrentavam enormes constrangimentos devido a uma grave crise financeira.

O socialista José Sócrates era, na altura, chefe de um Governo minoritário. O então Executivo queria implementar uma nova atualização ao Pacto de Estabilidade e Crescimento, um conjunto de medidas que ficou conhecido como PEC IV. 

Cavaco Silva acusou o Governo de falta de lealdade institucional, porque o Executivo o deixou à margem das conversas sobre este pacote de medidas. Palavras duras que ficam para a História.

O Parlamento não deu luz verde ao PEC IV e o chumbo precipitou a demissão de José Sócrates, a 23 de março. Uma demissão que foi depois aceite por Cavaco Silva.

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PR diz que Constituição obrigava Sócrates a informá-lo

PR diz que Constituição obrigava Sócrates a informá-lo

Cavaco Silva acusou o Governo de Sócrates de uma "falta de lealdade institucional" que ficará na "história da Democracia". 

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41 FOTOS

Cavaco dá posse a Passos

A 7 de abril de 2011, o Presidente da República dissolveu o Parlamento e marcou eleições antecipadas para 5 de junho.

O PSD venceu as eleições com 38,65% dos votos. O PS ficou em segundo lugar com 28,06% e em terceiro o CDS-PP com 11,70% dos votos. 

Cavaco Silva deu posse ao Governo de coligação PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho a 21 de junho de 2011. 

 

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Cavaco: reformas «não chegam para as minhas despesas»

Cavaco: reformas «não chegam para as minhas despesas»

Presidente diz que pensões não chegam para as suas despesas.

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Manifestantes dão «moedinhas» a Cavaco [LUSA]

As pensões de Cavaco

Janeiro de 2012. Em plena crise, marcada pelos cortes nas pensões, as declarações de Cavaco Silva sobre as suas finanças pessoais dão que falar e geram muitas críticas. 

Cavaco Silva afirmou que ganhava 1.300 euros da Caixa Geral de Aposentações, para a qual descontou durante 40 anos sobre o seu vencimento de professor universitário e investigador da Fundação Calouste Gulbenkian. Do Banco de Portugal, para onde descontou 30 anos, disse que não sabia quanto ia receber. Mas adiantou que a soma dos dois valores não ia chegar para as suas despesas. 

Não sabia quanto ia receber de reforma do Banco de Portugal, mas adiantou que, enquanto quadro do banco central, ocupava o nível 18 da tabela, ou seja, o mais elevado. Esse nível da tabela tem por base mínima 2.343 euros por mês e máxima 3.735 euros. Ao valor base podem, no entanto, juntar-se ainda complementos de reforma que podem chegar a um máximo de 4.500 euros. Ou seja, se o Presidente estava no topo da tabela recebia, com o complemento, 8.235 euros. 

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Presidente desmaia durante discurso do 10 de Junho

O desmaio do Presidente

As cerimónias do 10 de junho de 2014, na Guarda, são marcadas por intensos protestos e por um acontecimento inesperado: Cavaco Silva sente-se mal, desmaia e tem de interromper o discurso durante quase meia hora.

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Tomada de posse do novo Governo

O Governo mais curto da História da Democracia

As eleições legislativas de 4 de outubro de 2015 abrem a porta para uma série de acontecimentos sem paralelo na história da Democracia em Portugal. O PSD é o partido que reúne mais votos, mas o ato eleitoral dá uma maioria parlamentar à esquerda - PS, BE, PCP, PEV.  

E depressa se percebe que um Governo de direita não teria pernas para andar, com os partidos mais à esquerda a mostrarem uma abertura inédita para fazerem passar um Executivo de iniciativa socialista.

Cavaco Silva ouve os partidos, ouve os parceiros sociais e decide: indigita Passos Coelho como primeiro-ministro e deixa uma série de avisos, questionando um entendimento entre o PS e os partidos "anti-europeístas". 

O Executivo de Passos Coelho torna-se no Governo mais curto da História da Democracia portuguesa, acabando por cair na Assembleia da República.

 

 

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Tomada de Posse do XXI Governo Constitucional

Cavaco cede e dá posse a Costa

A 26 de novembro de 2015, Cavaco Silva acabou mesmo por ceder e dar posse a um Governo histórico: um Executivo do PS, apoiado pela esquerda, BE, PCP e Verdes.

Mas até ao último momento não parece convencido com a solução apresentada por António Costa, apontando omissões "a alguns pontos essenciais à estabilidade política" nos acordos subscritos pelos quatro partidos e vincando a falta de garantia de durabilidade do executivo no horizonte temporal da legislatura.

 

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Cavaco critica omissões nos acordos à esquerda na tomada de posse de Costa

Cavaco critica omissões nos acordos à esquerda na tomada de posse de Costa

Na tomada de posse de António Costa, Cavaco Silva deixou muitos avisos e críticas à maioria de esquerda.

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Aníbal Cavaco Silva acompanhado pelo pintor Carlos Barahona Possollo

As memórias de Cavaco

Ao fim de dez anos no Palácio de Belém, Cavaco Silva prepara a mudança para o Convento do Sacramento, onde no seu novo gabinete deverá escrever as já prometidas memórias presidenciais. 

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Balanço de 10 anos de Cavaco Silva em Belém

Cavaco Silva termina uma década à frente do mais alto cargo da nação. No fim do segundo mandato como Presidente da República, aqui ficam alguns dos momentos chave da sua passagem por Belém.