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Instantes do mundo ou World Press Photo

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A fotografia do australiano Warren Richardson, feita em agosto de 2015 com refugiados na fronteira entre a Sérvia e a Hungria, venceu o 59º edição do World Press Photo.

Um homem a passar uma criança por baixo do arame farpado de Röszke que tenta impedir a passagem de milhares de refugiados da guerra da Síria.

Um homem tenta e consegue que a criança passe para o outro lado. Uma pequena vitória quando a derrota é o que está garantido. O homem é capaz de vencer. Nada detém a força de um sonho quando tudo que há é um tremendo pesadelo.

A imagem é um statement político que ilustra o drama por que têm de passado estes fugitivos de uma guerra que deixa um povo à mercê de milícias e bombas.

Valeu a Warren Richardson o grande prémio e também o primeiro prémio na categoria "Spot News".

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World Press Photo, a tradição Maya por Daniel Ochoa de Olza

As raparigas Maya. Jovens raparigas entre 7 e 11 anos são as figuras centrais do festival Las Mayas que anualmente escolhe a "Maya", um ritual pagão que assinala a primavera na cidade espanhola de Colmenar Viejo. Durante algumas horas, as raparigas sentam-se quietas num altar decorado com flores. 

A imagem foi captada pelo fotógrafo da AP Daniel Ochoa de Olza, natural de Pamplona, e um curioso por temas etnográficos.

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Ebola Survivors Football Club

Futebol Clube dos Sobreviventes do Ébola. Erison Turay fundou este clube depois de 38 membros da sua família terem morrido infectados pelo vírus do Ébola. O desafio de uma equipa constituída por mulheres na cidade de Kenema,na Serra Leoa, onde o foco desta epidemia tirou a vida a milhares de pessoas.

A fotografia é da autoria da fotógrafa norte-americana Tara Todras-Whitehill, apeixonada por contar histórias reais.

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Talibes, Modern-day Slaves

Estes meninos são os Talibés, os novos escravos. Crianças que desaparecem para serem exploradas por líderes muçulmanos do Senegal. Parecem fantasmas que deambulam na penúria de uma vida condenada.

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Talibes, Modern-day Slaves

Encontrei condições completamente desumanas. Apesar de ter feito muita investigação, não deixou de me surpreender porque a dimensão é ainda maior do que eu esperava, porque uma coisa é ler dados outra coisa é vê-los. Assustou-me ainda mais a indiferença, porque as pessoas sabem que aquilo existe, sabem que problema acontece todos os dias"

 

Mário Cruz, premiado por reportagem sobre os talibés.

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A história da fotorreportagem de Mário Cruz

O fotojornalista Mário Cruz, da agência Lusa, venceu o primeiro prémio na categoria "Contemporary Issues", com uma reportagem sobre tráfico e exploração de trabalho infantil no Senegal, com crianças senegalesas e guineenses.

Na fotorreportagem, publicada na Newsweek, Mário Cruz testemunha as condições em que vivem algumas das crianças que são exploradas numa rede criminosa de exploração infantil.

Nascido em Lisboa em 1987, Mário Cruz é fotojornalista da agência noticiosa portuguesa desde 2008.

Mário passou seis meses a fazer investigação, tirou uma licença sem vencimento e rumou em 2015 àqueles dois países, onde passou um mês e meio a fotografar.

Tomou conhecimento daqueles casos quando em 2009, numa reportagem na Guiné-Bissau, ouviu relatos de histórias de crianças que desapareciam e que estariam a ir para o Senegal para servirem de escravas para líderes religiosos muçulmanos.

"Fiquei com aqueles relatos na cabeça e passados uns anos de fazer uns projetos em Portugal - porque quis começar por fazer em Portugal - decidi que estava preparado e que queria fazer uma reportagem sobre o que se estava a passar".

A reportagem fotográfica agora premiada pela World Press Photo revela, num registo a preto e branco, crianças enclausuradas, presas com correntes, deitadas no chão ou a mendigarem nas ruas. Estas crianças são mantidas em "daaras", escolas para onde são enviadas supostamente para terem uma educação muçulmanda, e sobre as quais a polícia desconhece muitas vezes a localização.

No Senegal existe o dia nacional do "talibé" - nome pelo qual aquelas crianças são identificadas -, mas o governo senegalês nada fez ainda para acabar com aquela situação.

"Sinto que a fotografia é mais do que nunca importante, sinto que é muito desvalorizada, o que não me deixa com o pensamento muito positivo. Hoje é um dia bom para o trabalho, porque estas crianças vão ter visibilidade, vai-se falar do tema, mas não mudo a minha maneira de olhar para a profissão e para a área da fotografia, que eu acho que já merece mais investimento e valorização".

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Mário Cuz vence prémio de fotojornalismo contra a "indiferença"

O fotógrafo português premiado com o World Press Photo ficou surpreendido com a distinção e espera que sirva para alertar para a situação dos talibés, crianças escravizadas por líderes religiosos no Senegal. 

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Haze in China

É nevoeiro o que se vê na fotografia de Zhang Lei. É o nevoeiro que cobre a cidade de Tianjin, no norte da China, numa manhã ou tarde qualquer.

Não é uma manhã coberta pelo orvalho quando uma frente quente e húmida e uma frente fria se encontraram nos céus.

Isto não é meteorologia, é a poluição das fábricas, da economia que quer ser o pilar do mundo e fumega para aí chegar.

 

 

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The Forgotten Mountains of Sudan

A fotógrafa Adriane Ohanesian fixa para a história aquela que parece ser já uma história comum em Darfur, de onde nunca vêm boas notícias. A pequena Adam Abdel, de 7 anos, ficou com queimaduras em todo o corpo quando uma bomba foi deixada cair por um Antonov do governo sudanês em cima da casa da sua família, em Burgu, Darfur. É impossível não parar para pensar o mundo quando se queimam os sonhos a uma criança.

Nascida em Nova Iorque, Adriane Ohanesian recebeu formação em antropologia, mas é pela lente da sua câmara que prefere fixar o mundo. Hoje a viver em Nairobi, no Quénia, a norte-americana é fotógrafa free-lancer e tenta demonstrar que a tragédia crua é real, ainda que aconteça lá longe, nas montanhas de um país longínquo.

 

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22 FOTOS

As fotos vencedoras

Conheça mais fotos vencedoras da última edição do World Press Photo.

Paula Oliveira