TVI24

Caiu

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Até o PS concordou que o Presidente da República tinha a legitimidade constitucional para indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro. Mas levou à letra o que Cavaco Silva disse sobre a "última palavra" caber aos deputados, no Parlamento.

Pela primeira vez, as bancadas do PS, BE, PCP e PEV aplaudiram juntas os respetivos discursos e levantaram a esquerda do chão. Só foi preciso votar a moção de rejeição dos socialistas para o desfecho que já se antevia inevitável.

O 10 de novembro vai ficar para a História.

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Pedro Passos Coelho

 

"Deixo ao senhor primeiro-ministro que o vai deixar de ser um simples e humilde conselho: diga ao seu futuro eu que não seja piegas, saia da sua zona de conforto"

 

Ironia do Bloco de Esquerda dirigida a Passos Coelho

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António Costa

"A Europa não pode ser camisa de forças para a Constituição. Não há constituições de primeira e de segunda. A alemã não é mais importante do que a portuguesa"

Aviso do Bloco de Esquerda a António Costa

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Quando as bancadas da direita começaram a ficar agitadas

João Oliveira, do PCP, acusou o PSD de “partir a espinha” ao CDS
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Mário Centeno

"O programa de Governo de que hoje nos despedimos com justa causa não resolve os problemas. O PS assume as suas responsabilidades europeias e honrará todos os compromissos do país. Portugal precisa de outra política."

Mário Centeno, futuro ministro das Finanças

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Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque

"Temos uma situação consolidada, uma reserva financeira, um cofre cheio – para que saibam do que eu estou a falar - com quase 7,8 mil milhões de euros"


"Todos sabemos bem demais que desvios feitos por aqueles que procuram ganhos políticos de curto prazo serão pagos por nós"

Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças

7

"Todos sabemos que as bebedeiras têm um só problema: a ressaca"

Paulo Portas disse que acordo alcançado por António Costa é uma "geringonça política"
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Assinatura da posição conjunta do PS com o PCP: há algumas matérias em que as duas forças políticas não conseguiram alcançar entendimento e isso está expressamente escrito (Foto PS)

Acordos à hora de almoço

Foram assinados na interrupção do debate, em separado. Na verdade, os acordos políticos entre a esquerda são designados por "posição conjunta".

Preveem orçamentos negociados em "reuniões bilaterais" e a rejeição de eventuais moções de censura apresentadas por PSD e/ou CDS-PP. Mas têm uma fragilidade para os socialistas: não excluem que BE, PCP e PEV possam eles mesmos avançar com moções de censura ao futuro Governo PS. 

Os documentos especificam, ainda, o que de particular foi acordado com cada uma das forças políticas: 

PS/BE: criação de grupos de trabalho dedicados a precariedade, pensões e dívida externa

PS/PCP: assumem que não chegaram a acordo quanto às condições para a concretização de algumas matérias, mas que há uma convergência quanto ao enunciado dos objectivos a alcançar, isto em assuntos como a reposição dos salários na função pública em 2016, das 35 horas semanais, a eliminação da sobretaxa do IRS ou a eliminação das taxas moderadoras.

PS/PEV: contém aspetos específicos como a não privatização do setor da água e o desenvolvimento da rede ferroviária nacional, nomeadamente de passageiros. 

 
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Manifestantes mostram solidariedade com Passos e Portas

Protesto pede novas eleições e critica taticismo de Costa
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Jerónimo de Sousa

"Hoje cumpre-se um importante passo e milhões de portugueses respirarão de alívio”

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP

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Catarina Martins (Foto: Reuetrs\André Marchante)

"Estamos a fazer o que nunca foi feito. Estava mais do que na hora"

 

Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda

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Carlos César, António Costa e Mário Centeno

"Estavam tão ansiosos de me ouvir... Agora ouçam-me"

Quase a terminar o debate do programa do Governo de Passos Coelho, eis que o líder do PS tomou a palavra, para defender a legitimidade de o derrubar e acenando a Cavaco Silva com um  "programa coerente, credível e consistente com condições estáveis de execução ao longo da legislatura". Quer ser primeiro-ministro e liderar um Governo com apoio de BE, PCP e PEV, assinados que estão já os acordos políticos. 

"Não é um acordo para fotografia, mas assente em compromisso para fazer aquilo que é necessário", defendeu.
 

"Acabou um tabu, derrubou-se um muro, venceu-se mais um preconceito. Aqui na Assembleia da República somos todos diferentes nas nossas ideias, mas todos iguais na nossa legitimidade"

 


Costa ainda assumiu que o PS não ganhou as eleições, mas não tinha o direito de se "furtar" à responsabilidade depois de o PSD não ter sido "capaz" de encontrar uma solução maioria que garantisse estabilidade. "Palavra dada é palavra honrada".


 

 

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Passos Coelho

"Foi penoso ouvir o secretário-geral socialista explicar ao país, ao fim de tantas semanas depois das eleições que a plataforma que dispõe para derrubar este Governo nem sequer salva ou garante o governo que aí vem o derrote neste Parlamento porque não tem um acordo que inviabilize a rejeição do seu Governo no futuro."
 

“A menos que António Costa nos venha revelar diferenças essenciais na sua matriz programática não podemos concluir outra coisa que não seja, que é legitimo supor, que o que move a liderança do PS não é senão o apetite pelo poder. 

Passos Coelho, primeiro-ministro

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O momento da votação que derrubou o Governo

Moção de rejeição do PS foi aprovada com 123 votos a favor e 107 votos contra. Ouviram-se palmas nas galerias.
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Centenas de pessoas festejaram a queda do governo de direita

Manifestação foi convocada pela CGTP, que está disposta a negociar com novo Governo e quer mudanças laborais

Vanessa Cruz