TVI24

A história do maior escândalo a abalar o Facebook

1

O escândalo rebentou a 17 de março quando os jornais The New York Times e The Observer (do The Guardian) denunciaram que dados de utilizadores do Facebook foram usados de forma abusiva pela consulltora Cambridge Analytica na campanha presidencial de Donald Trump e na campanha pelo Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. 

A dimensão do caso - falamos de um universo de 87 milhões de utilizadores afetados - tornou-o na maior polémica a atingir o Facebook.

Os efeitos rapidamente se fizeram sentir: as quedas na bolsa, a pressão de diversos países a exigir uma maior regulação da plataforma, os diversos movimentos a apelar ao boicote da rede. 

Mark Zuckerberg viu-se a admitir que cometeu "erros" e a garantir que a plataforma ia trabalhar para que tal não voltasse a acontecer. Mas não foi o suficente: o fundador do Facebook teve de ir mesmo ao Congresso norte-americano prestar testemunho.

2
Facebook

Como é que foram recolhidos os dados?

3

Os dados dos utilizadores afetados foram recolhidos a partir de uma aplicação que funcionava como um teste de personalidade.

Em causa está a aplicação "This is Your Digital Life" ("Esta é a Sua Vida Digital", em português), que foi criada em 2014 pelo investigador da Universidade de Cambridge Aleksandr Kogan, sob o pretexto de realizar um estudo psicológico de utilizadores.

Isto não é surpreendente, uma vez que o Facebook permite que outras aplicações, desde jogos a testes e passatempos, acedam aos dados dos seus utilizadores. 

Acontece que, desta vez, esses dados foram fornecidos a uma terceira entidade, algo que, já à altura dos factos, ia contra as políticas de privacidade do Facebook: a plataforma permitia a coleta de dados, mas apenas para melhorar a experiência do próprio utilizador na aplicação e proibia que os dados fossem vendidos ou usados para propaganda.

Foram afetados não só os utilizadores que acederam à aplicação, como todos os amigos de quem fez o teste. 

Incialmente, a estimativa era de que tinham sido recolhidos dados de 50 milhões de utilizadores, mas foi o próprio Facebook que veio corrigir esse número, elevando-o para 87 milhões. 

4
Os países mais afetados pelo escândalo do Facebook

Foram afetados 87 milhões de utilizadores

A esmagadora maioria dos utilizadores é dos Estados Unidos da América. Seguem-se utilizadores das Filipinas, da Indonésia e do Reino Unido

5
Escritórios da Cambridge Analytica - Londres

Cambridge Analytica, a consultora de que se fala

6

Outra empresa que está no centro desta história é a consultora que utilizou os dados dos utilizadores da rede social para influenciar eleições: neste caso na campanha presidencial de Donald Trump e na campanha pelo Brexit.

Falamos da Cambridge Analytica, uma consultora com sede em Londres, mas que é detida pela família do empresário norte-americano Robert Mercer.

Mercer é conhecido por dar generosas contribuições ao Partido Republicano e apoiou Trump desde o início da sua campanha.

Sabe-se também que Steve Bannon, que dirigiu a campanha de Trump e que chegou a ser conselheiro da Casa Branca (cargo que já abandonou), também foi vice-presidente da Cambridge Analytica. 

7
Mesas de voto em Nova Iorque

Como é que a Cambridge Analytica influenciou as eleições?

8

A partir dos dados recolhidos, por exemplo a partir dos interesses e das publicações gostadas dos utilizadores, a Cambridge Analytica elaborou vários perfis de potenciais eleitores.

Esses eleitores eram bombardeados com mensagens políticas, com um objetivo específico.

Os detalhes do esquema foram revelados por um dos especialistas contratados pela Cambridge Analytica, o canadiano Christoper Wylie.

9
Christopher Wylie

Christopher Wylie, o canadiano que expôs o esquema da Cambridge Analytica

10

Christopher Wylie, de 28 anos, forneceu documentos ao The Guardian que provam que a Cambridge Analytica estava na posse de dados de milhões de utilizadores do Facebook e que os usava com propósitos políticos. 

O candiano revelou que foi ele que teve a ideia de ligar o estudo de personalidade ao do voto político.

Sugeriu a ideia ao chefe executivo da Cambridge Analytica, Alexander Nix, de quem teve carta branca.

Wylie admitiu que se reuniu com Steve Bannon, ex-conselheiro estratégico de Trump, e com Rebekah Mercer, filha de Robert Mercer. 

11
Toda a polémica à volta do Facebook, Trump e o Brexit

Os métodos pouco éticos da Cambridge Analytica

O Channel 4 divulgou uma reportagem em que Alexander Nix, chefe executivo da Cambridge Analytica quando tudo aconteceu, admitiu a um jornalista, que se fez passar por cliente, ter desempenhado um papel importante na eleição de Donald Trump. Mais, Nix revelou ainda as práticas pouco éticas da empresa para acabar com adversários políticos. A reportagem levou à sua suspensão como CEO da empresa 

12
O escândalo que envolve o Facebook e a Cambridge Analytica

As repercussões do escândalo

13

Quando algo corre mal numa empresa uma das consequências é sempre a perda de valor das ações em bolsa. 

O escândalo fez com que o Facebook sofresse uma queda abrupta em bolsa em muito poucas horas. Em apenas uma sessão, a empresa de Mark Zuckerberg perdeu cerca de 37 mil milhões de euros.

Autoridades de vários países prometeram que vai haver consequências: os Estados Unidos anunciaram uma investigação às práticas de privacidade da empresa e, na Europa, vários países pediram uma regulamentação mais rigorosa da plataforma.

A quebra de confiança na proteção de dados também levou também muitos fãs a apelar ao boicote da rede. A hashtag #DeleteFacebook (Apaga o Facebook, em inglês) tornou-se viral noutras redes sociais, como o Twitter.

Por outro lado, várias empresas e personalidades decidiram cortar relações com o Facebook: algumas deixaram de pagar publicidade, outras abandonaram mesmo a plataforma.

Elon Musk, dono da Tesla e da Space X, foi dos primeiros a abandonar o Facebook. Musk eliminou as páginas das duas empresas, que tinham um total de cinco milhões de “gostos”.

14
"Se não conseguirmos proteger dados, não merecemos servir-vos"

Zuckerberg admite "erros" e promete maior proteção de dados

Depois da queda na bolsa, das pressões governamentais e dos protestos dos fãs, Mark Zuckerberg pronunciou-se sobre o escândalo. O fundador do Facebook admitiu que a rede social cometeu “erros” e garantiu que a empresa está a trabalhar para que os mesmos não voltem a acontecer (Nota: nesta peça é referido que foram utilizados dados  de 50 milhões de utilizadores, mas hoje sabe-se que esse universo é bem maior, de 87 milhões de utilizadores)

15
16
Mark Zuckerberg depõe no senado norte-americano

O testemunho no Congresso norte-americano

A minha posição não é a de que não deveria haver regulamentação. Acho que a verdadeira questão, quando a Internet se torna cada vez mais importante na vida das pessoas, é qual é a regulamentação correta."

17

Mark Zuckerberg não só reconheceu os erros como mostrou-se disponível para testemunhar no Congresso norte-americano, o que veio a acontecer.

A audiência, inédita, aconteceu nos dias 10 e 11 de abril.  

Perante os congressistas, Zuckerberg voltou a assumir responsabilidades e pediu desculpa.

O fundador do Facebook garantiu que a plataforma "não vende dados a anunciantes". E admitiu que concorda com uma maior regulamentação digital.

18
Zuckerberg assume que Facebook falhou na proteção de dados

"Peço desculpa"

O depoimento do fundador e diretor da rede social perante os congressistas norte-americanos

19
Internet

Como saber se os seus dados foram ou não usados pela Cambridge Analytica?

20

Em Portugal, 15 pessoas fizeram o download da aplicação "This is Your Digital Life", estimando-se que o número de utilizadores afetados seja de cerca de 63.000 utilizadores. 

Há uma forma de saber está ou não neste universo. 

Acedendo a este link cada utilizador pode saber se os seus dados foram ou não recolhidos pela aplicação.

21
Ainda podemos navegar em segurança no Facebook?

Que cuidados devemos ter ao utilizar o Facebook?

O jornalista da TVI especialista em tecnologia Paulo Bastos fala sobre a segurança nesta plataforma

Sofia Santana