Será já no próximo mês que o Banco Central Europeu vai decidir sobre o volume dos estímulos monetários à economia da zona euro. O presidente do BCE, Mario Draghi, sinalizou isso mesmo hoje, depois de anunciar que o conselho de governadores decidiu deixar as taxas de juro inalteradas.

"A recente volatilidade na taxa de câmbio representa uma fonte de incerteza que exige calibração", pelo seu impacto na estabilidade de preços, explicou na conferência de imprensa, que se realizou em Frankfurt. O euro tem estado a negociar nos 1,2 euros, os valores mais altos em mais de dois anos e meio.

[As decisões sobre o programa de compra de dívida] são muitas, complexas e sempre, naturalmente, fazem pensar nos riscos que podem materializar-se nas próximas semanas ou meses, daí a cautela em não especificar uma data - provavelmente a maior parte dessas decisões serão tomadas em outubro"

O programa de compra de ativos mensal, de 60 mil milhões de euros, está em vigor até dezembro. 

Os juros da dívida portuguesa a dez anos, aqueles que servem de referência, caíram sete pontos base para um mínimo de duas semanas, nos 2,785%, depois da conferência do BCE. Também as alemãs, tidas como marco de referência, aliviaram, para o patamar mais baixo desde o final de junho (0,319%). Portugal tem beneficiado bastante das compras de dívida do BCE, que têm ajudado à queda dos juros, logo, permitindo um financiamento no mercado mais em conta.

Sobre as taxas de juro, aquela que é aplicável às operações principais de refinanciamento mantém-se em zero. As taxas, no geral, permanecem em mínimos históricos desde março de 2016.

Da reunião do BCE resultou a confirmação de que a política atual permanecerá intacta, mas com ressalvas de flexibilidade caso o mercado assim o exija.

Também hoje, a entidade liderada por Mario Draghi anunciou novas previsões para o crescimento da economia da zona euro: 2,2% este ano (previa 1,9% em junho), com uma inflação de 1,5% (igual a junho).

Já para 2018, a estimativa é que o Produto Interno Bruto dos países que partilham a moeda única aumente 1,8% (igual ao anunciado em junho), com uma inflação de 1,2%, ligeiramente abaixo da última previsão (1,3%).

Para 2019 é esperado um crescimento de 1,7% e uma inflação de 1,5%.