O ministro dos negócios estrangeiros russo, Sergei Lavrov, disse, esta quarta-feira, que continua a não haver acordo, entre os líderes mundiais, depois das conversações de Viena, acerca do papel do presidente sírio Bashar Al-Assad na resolução do conflito no país.
 
Da Cimeira de Viena, resultou uma convocatória dirigida ao Governo Sírio e à oposição para que cheguem a um entendimento.

“As Nações Unidas convocam o Governo sírio e a oposição para que iniciem um processo político que conduza a uma governação credível, não sectária, seguida de uma nova Constituição e eleições”, diz o documento final da Cimeira de Viena, citado pela agência italiana Ansa.

 
As eleições terão supervisão da ONU e serão abertas a emigrantes e refugiados sírios, acrescenta ainda o documento, que não refere em qualquer momento, de forma específica, o nome de Assad.
 
A Cimeira de Viena juntou várias potências internacionais, países europeus e regionais.
 

"Concordamos que as eleições na Síria sejam realizadas com a participação ativa e controle da ONU e que conte com a participação de todos os cidadãos sírios, independentemente de onde eles estão, incluindo os refugiados nos países vizinhos", disse o ministro russo dos negócios estrangeiros, Sergei Lavrov.

 
O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros Paolo Gentiloni, citado pela Ansa, confirmou que os participantes da Cimeira "não superaram as diferenças, mas concordaram com o ponto de que o caminho não é militar, mas uma transição política que nos leva para a saída de Assad. O processo inevitavelmente vai nessa direção. "

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse esta quarta-feira que é sempre preferível uma atuação com o apoio de uma resolução das Nações Unidas, mas considera que qualquer atuação na Síria será considerada legal. 
 
A França e a Rússia continuam a bombardear posições do Estado Islâmico na Síria. Nas últimas 72 horas, já terão morto 33 jihadistas. Há notícias de que membros do Estado Islâmico já estão a fugir para o Iraque.
 
A França pediu, esta terça-feira, de forma formal, ajuda à União Europeia, que decidiu, de forma unânime, ajudar com missões militares. O Governo de Paris deve agora reunir-se com cada membro da UE individualmente para saber que formas de ajuda cada um poderá oferecer. 

Ainda no plano diplomático, o Egito anunciou, esta quarta-feira, que vai discutir, por telefone, com Vladimir Putin a cooperação contra o terrorismo.
 
Bashar al-Assad disse, na terça-feira, que só partilhará informações dos serviços secretos sírios com França, se Paris mudar a posição diplomática em relação ao conflito na Síria. Em pleno rescaldo dos atentados de Paris, reivindicados pelo Estado Islâmico, o presidente da Síria deu uma entrevista à revista francesa Valeurs Actuelles.
 

 “Se o Governo francês não for sério no combate contra o terrorismo, não vamos perder tempo e colaborar com um país, governo ou instituição, que apoie o terrorismo."


Assad quer, portanto, que França deixe de apoiar a oposição síria que se insurge contra o poder de Damasco e as forças do Governo num conflito interno que perdura desde 2011.