Os primeiros três temas do barómetro desta semana remetem todos para um conceito que identifica a ação de várias pessoas, com uma causa comum, no espaço público.

Os protestos contra a redução dos contratos de associação e a votação do impeachment (destituição) de Dilma Rousseff têm a ver com um tipo específico de ação colectiva, que envolve o conflito. 

Apesar dos conflitos que podem acontecer entre apoiantes de diferentes equipas, o futebol – e mais especificamente os jogos da I Liga – não envolve explicitamente este elemento do conflito, ou melhor a sua concretização não gira em torno dele. 

O movimento que nasceu em defesa dos colégios privados, com o simbólico ‘abraço às escolas’ do dia 6 de Maio, é algo novo em comparação com as manifestações do ciclo de protesto contra a austeridade em Portugal. Se aquelas, generalizando, eram sobretudo contra os cortes no sector público ou contra processos de privatização, esta tem como alvo cortes públicos no sector privado. Com efeito, os protagonistas da ação são portanto muito diferentes, contando com o envolvimento de parte da igreja católica e com o suporte dos partidos de centro direita.

As mobilizações que se desencadearam no Brasil a propósito da operação ‘Lava-Jato’ são também algo de peculiar no ciclo de protesto mundial dos últimos anos, que vai desde a primavera árabe, até ao movimento occupy e aos indignados espanhóis, ou à revolta de Gezi Park, na Turquia. No Brasil temos um movimento de classe média, com algumas características conservadoras, com a aclamação de um líder carismático, o juiz Sérgio Moro.

No entanto, este movimento pode igualmente ser incluído nesse ciclo de protesto mundial, o maior desde daquele período que, chamado ‘longos anos Sessenta’, modificou o mundo ocidental e não só.